quinta-feira, 26 de abril de 2018

SUCESSO OU FRACASSO? É VOCÊ QUEM ESCOLHE SEU DESTINO




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Em primeiro lugar a pergunta que deve ser respondida é: O que é sucesso para você? Muitas pessoas se consideram bem-sucedidas simplesmente porque conseguiram mais tempo em sua vida corrida, e ter tempo para descansar é comemorado como riqueza considerável. Outras acreditam que será bem-sucedido se atingir o topo em uma carreira. Algumas acham que ter sucesso é manter uma família harmônica e saudável. Definir onde queremos chegar é o primeiro passo para nos tornarmos pessoas de sucesso. Afinal, se não sabemos onde vamos, podemos nos perder pelo caminho ou até mesmo chegar ao lugar e não reconhecer que era ali que queríamos estar.
Carlos Alberto não entendia porque João, seu colega de profissão, fazia mais sucesso que ele, afinal de contas tinham a mesma formação acadêmica e competências no trabalho bem parecidas. Se contorcia de inveja todas as vezes que seu parceiro ganhava reconhecimento profissional e se entristecia pois a sensação de fracasso o invadia. A diferença mais marcante entre os dois era que João sabia onde queria chegar e fazia planos para o futuro. Anotava tudo o que queria, meticulosamente, com prazos para realização. A conseqüência disso era que quando se deparava com uma adversidade, entendia que era parte do jogo da existência e não se abatia. Contornava a situação e se mantinha firme no propósito. Quando a vida lhe apresentava um problema, ele vinha com mais três soluções. Enquanto Carlos Alberto, para cada solução, arrumava três problemas. Ele se achava um derrotado, sempre.
Carol Dweck, pesquisadora da Universidade Columbia, considerada uma das maiores especialistas em desenvolvimento humano, assevera que a opinião que você adota a respeito de si mesmo, afeta profundamente a maneira que você leva a vida.  Esta crença sobre si é o que definirá seu sucesso ou fracasso na realização dos seus desejos. João se sentia vitorioso e comemorava sempre que atingia pequenos objetivos em busca do sucesso. Carlos se via como incompetente até na hora de festejar as conquistas.  Agora, pare e pense: O que você acha a seu respeito? Se considera uma pessoa bem-sucedida ou se sente aquém das suas possibilidades? Diante das grandes pedras em seu caminho, paralisa ou as contorna? Se sente vítima das circunstâncias ou autor da sua própria história? A psicologia hoje pode lhe ajudar a mudar a sua opinião sobre si mesmo e facilitar o seu caminho de glórias.
Alguns acontecimentos na infância do indivíduo podem marcar de maneira indelével a sua auto-imagem pessoal. Por exemplo, Carlos Alberto tinha um pai narcisista que o detonava sempre. Frases como “você é um incompetente”, “não deveria nem ter nascido”, “você não serve para nada” eram comuns em suas discussões.  Diferentemente de Einstein que superou um pai nocivo, que dizia sempre que ele era um inútil, Carlos Alberto sucumbiu às palavras que ele acreditava que o definiam. Por mais que alcançasse seus objetivos, não se sentia vitorioso. Ele não era maleável.
Segundo Dweck, existem dois estilos de pensamento: o fixo e o de crescimento. Pessoas com estilos de pensamento fixo, diante de uma adversidade, paralisam e acessam toda a emoção antiga que foi impressa na infância, trazendo para a cena presente os sentimentos do passado, quando o papai ou a mamãe ou o professor lhe disseram o quanto eram incompetentes. Ao contrário, quem tem um estilo de pensamento de crescimento, mesmo que tenham tido cuidadores nocivos (o que é bem comum), ultrapassam a fronteira do sofrimento e querem provar para si mesmos e para o mundo que não são vítimas das circunstâncias e que podem se superar. São resilientes e perseverantes. Cultivam a crença que podem crescer, aprender e desenvolvem uma capacidade aguçada para identificar seus pontos fracos e fortes. Sendo assim, quando delimitam suas fraquezas lidam com elas da melhor maneira possível. Ressaltam suas qualidades e, por isso, não se sentem derrotados quando são postos à prova. Entendem que ninguém é bom em tudo. Isto é impossível.
Uma outra diferença bem marcante em quem tem uma forma de pensar de crescimento é que elas sabem que para ter sucesso é preciso se esforçar. João sabia disso, assim todos os dias estudava e se atualizava na sua e em outras áreas do saber. Utilizava tudo que aprendia de maneira prática, se revigorando com o reconhecimento e as emoções  positivas que isso causava. Carlos Alberto não: achava que devia ser reconhecido a qualquer preço, mesmo que não fizesse nada, afinal de contas ele era muito inteligente e competente, portanto merecia este reconhecimento. Quando presenciava o sucesso de João achava que isso era fruto de sorte. Não entendia que o colega de trabalho se empenhava muito para ter o sucesso reconhecido por ele mesmo e por seus pares. Além de buscar sempre novos desafios, prosperava e se desenvolvia a partir deles.
O que a nova psicologia do sucesso propõe é que os estilos de pensamento não são imutáveis. Você pode, se quiser e se esforçar, mudar a crença que tem sobre você e sobre o mundo que o rodeia.  Apesar de serem parte importante da personalidade, pois são construídos ao longo da sua história, os pensamentos podem ser mudados, transformando nossa maneira de existir pois, somos, cada um de nós, um universo particular. A realidade muda, quando você muda. Quem tem um modelo fixo de pensamento perde grandes oportunidades de evolução pois sente-se rotulado  por palavras negativas e desanima frente à uma grande exigência da vida. Não entende que os fracassos servem para nos fazer aprender e que há um grande “barato” na superação das dificuldades.
É importante notar que as pessoas que tem o estilo de pensamento de crescimento, não apenas planejaram chegar ao topo. A chegada foi conseqüência do  seu empenho, trabalho, dedicação, certeza sobre o que gosta de fazer e resilência. Ao contrário, os que têm pensamento fixo, almejam o topo o tempo inteiro e, geralmente, perdem o entusiasmo ao longo do caminho, pois nem sempre fazem o que gostam. Elas também não têm medo de errar, pois sabem que isto faz parte da essência humana.  Não prometem o que não podem cumprir, mas cumprem sempre o prometido. Sabem onde querem chegar e se alegram no processo de crescimento. Não perdem tempo com conflitos improdutivos, dão valor às pessoas que os rodeiam e investem em sua vida pessoal, tanto quanto na vida laboral. Não se interessam por vinganças, nem pequenas, nem grandes. Procuram sempre compreender, perdoar e seguir adiante. Se reinventam e seguem em frente dando brilho para suas vidas e para as vidas de quem os cercam.
João, quando escolheu engenharia, sabia que esta profissão daria sentido sua vida, enquanto Carlos Alberto o fez porque achou que ganharia status e assim poderia ser reconhecido por seu pai. Motivos diferentes, resultados também diferentes. Enquanto nosso primeiro personagem vive a vida cheia de alegria e emoção positiva, o segundo está em tratamento psiquiátrico, tentando resolver seus conflitos através da medicação que o entorpece. E você, considera a sua vida um sucesso? Se não, preste atenção nas dicas a seguir:
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Flexibilize seu pensamento e se torne uma pessoa de sucesso.
1)      Não desista facilmente. Se perceber dificuldades em sua trajetória, aprenda a descansar e seguir em frente.  
2)      Sempre que se perceber sentindo pena de si mesmo, levante a cabeça e olhe para o lado. Você não é o único a passar por dificuldades.
3)      Lembre-se que o seu passado não precisa ser arrastado com você para o seu presente. Se ele foi ruim, deixo-o lá. Não se esqueça que o cérebro não faz distinção entre o que você vive no presente e o que você lembra. Não eternize a sua dor.
4)       Comemore sempre que conquistar algo. Isto é importante para lembrá-lo que você pode.
5)      Procure se afastar, pelo menos mentalmente, de pessoas negativas, que te desestimulam em seus objetivos. Materialize suas esperanças.
6)      Quando achar que foi bem em qualquer processo, poste-se diante do espelho e se parabenize. Você merece.  Quando fracassar, se respeite. Faz parte do processo.
7)      Não pense que quem tem sucesso não se esforçou! Até Einsten foi obrigado a superar suas dificuldades para obter o reconhecimento que tem hoje!
8)      Sabe aquela frase: “Só podia ser comigo”? Esqueça! Todos nós passamos por dificuldades.
9)      Não busque vingança. Nem pequenas, nem grandes. O seu algoz já o feriu. É você quem vai perder tempo e energia vital se ligando a ele pela eternidade.
10)   Cuide também da sua vida pessoal. Afinal de contas, não é só no trabalho que devemos brilhar. 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

INVEJA: UM SENTIMENTO ABOMINÁVEL


Podemos iniciar nossa conversa, definindo a palavra inveja, como uma dor profunda de quem não consegue realizar seus próprios sonhos. Pior ainda, quando o invejoso não sabe nem quais são seus objetivos e sente raiva quando percebe que seus pares conseguem coisas que lhe parecem atraentes. Causa uma espécie de sentimento de inferioridade e de desgosto diante do que satisfaz o outro, visto que, para o invejoso, o realizador lembra a sua própria incapacidade: “Nossa, ele fez, eu não sou capaz!” Este é o pensamento que baseia a emoção de raiva e tristeza contida nas seis letras que compõe este significante carregado de sentido negativo. 
O dicionário Aurélio descreve inveja como “desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Um desejo violento de possuir o bem alheio.” Já a psicologia  define como “insatisfação e aborrecimento com a alegria do outro”. O fato é que ninguém gosta de reconhecer quando sente, pois sabe que  não é bacana cobiçar  riqueza,  brilho,  competência,  amores e prosperidade alheia. Muitas vezes, é inconsciente e fica ali, na surdina, provocando comportamentos nocivos de desqualificação e desdém do fato realizado pelo próximo.
A sensação é tão avassaladora que estampa na cara do sujeito que cobiça o que é do outro a sua insatisfação. Cenhos franzidos, ombros encolhidos, lábios cerrados formam o conjunto de expressão não verbal  de quem tem o famoso “olho gordo”. No que se refere ao dito com palavras, é muito comum o invejoso encher o seu alvo de adjetivos “negativos”.  “Mas também ele......” iniciam, diversas vezes, o discurso desvalorizador. Ele ataca para não se sentir atacado pela competência alheia.
Este sentimento também dificulta a gratidão. Simplesmente porque há sempre a impressão que “se o outro está me dando, provavelmente quer me humilhar” ou, “se está me dando, é somente porque não quer mais.” A auto-estima de quem sente inveja está abaixo do nível do mar. Ele se percebe inferior e acha que “se eu não tenho, ele também não pode ter”. Também se considera vítima da má sorte: “Para ele foi fácil! Se fosse comigo, tenho certeza que não seria bem assim. A vida não facilita as coisas para o meu lado”.
Para aliviar o peso da emoção, muitos dizem: “tenho inveja branca”, como se o fato de ter uma cor mais amena fosse o suficiente para diminuir a ira e pesar. Devo ressaltar que existe uma diferença enorme entre inveja e admiração. Enquanto a primeira ancora o indivíduo na incompetência, posto que ele paralisa diante do realizador, a segunda o empurra para frente, pois torna o admirado modelo para o futuro. As frases de quem admira, geralmente, têm este tom: “Caramba, que legal! Ele conseguiu. Vou seguir seus passos e torná-lo modelo de atuação para a minha existência!”
A galinha do vizinho é sempre mais gostosa e sua grama está, invariavelmente,   mais viçosa. Enquanto olha, pára e deseja o que é do outro, o invejoso se compara e sente vergonha de reconhecer o que falta nele. Logo depois, ataca e menospreza o objeto desejado para que desapareça seu sentimento de incapacidade.
Justina era assim. Não sabia o porquê, mas sentia uma raiva profunda da irmã e tentava, a todo custo, diminuí-la na frente dos amigos e parentes. Todas as vezes que Carolina, esforçada que era, conseguia o que queria, Justina era invadida por uma sensação de raiva que a fazia desdenhar dos feitos de sua irmã. A inveja a consumia. Este fato impossibilitava seu crescimento tanto pessoal, quanto profissional, pois, enquanto estava parada, ocupada em desqualificar todas as vitórias de Carolina, o trem da sua vida passava, sem que ela conseguisse entender como entrar na cabine para chegar ao seu destino. Na verdade, ela nem conseguia definir para onde queria ir. 
Por isso, queridos leitores, prestem bem atenção nos pensamentos que dão base aos seus sentimentos. Quando se perceberem querendo ser o que o outro é, ou querendo ter o que o outro tem, perguntem-se: “Será este o meu caminho?”, “Quero, de fato, o que é dele?”,. Se a resposta for afirmativa, modele com seu ícone e tente transformar sua inveja em admiração. Se alegre com a vitória do outro e busque entender o que lhe faz feliz. Se ocupar com a alegria alheia lhe rouba o tempo necessário para construir uma história pessoal satisfatória. Quem tem olho grande não somente deixa de entrar na China, como também deixa de progredir.  Se está difícil se encontrar, a psicoterapia é o melhor remédio. Procure um profissional competente e busque a sua verdade.

PENSAMENTOS TÍPICOS

INVEJOSO
ADMIRADOR
“Nosso vizinho comprou um carro novo! Só pode estar roubando no trabalho!”
“Que legal! Nosso vizinho comprou um carro! Estou louco para trocar o meu também! Será que consigo financiar um pra mim?”
“A Maria, apesar da idade, está linda! Também, com dinheiro é mole!”
“Que linda está a Maria! O que será que ela anda fazendo para se manter tão jovial?”
“Meu colega de trabalho recebeu elogio do nosso chefe. Sabia, ele é um puxa-saco do caramba!”

“Preciso me esforçar mais para receber elogios do meu chefe!”
“Nossa, esse casal vive viajando. Não sei onde consegue tanto tempo e dinheiro!”
“Que legal esse casal conseguir viajar tanto. Vou me empenhar ainda mais no meu trabalho para fazer o mesmo nas minhas férias.”

domingo, 22 de abril de 2018

DEPRESSÃO OU TRISTEZA, O QUE REALMENTE VOCÊ SENTE?


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Todos nós passamos por adversidades ao longo da vida. Isso é totalmente natural e inevitável. Essas situações nos fazem ficar tristes.  A tristeza é uma emoção básica que nos serviu como sinalizador para evitar determinados comportamentos e nos fez sobreviver como espécie humana. Quando entristecemos, sabemos o porquê. Contornamos a dor. Por exemplo, o pai da Maria faleceu. Ela está triste, e sabe o motivo, mas reconhece que as outras áreas de sua vida estão funcionando muito bem. Isso não necessariamente, fez da Maria uma pessoa deprimida. A depressão tem características bem diferentes. Nela, há uma espécie de infecção generalizada e o indivíduo já não sabe mais onde dói. Parece que tudo se transforma em um grande nada cinzento.
Vazio no peito, falta de esperança, perda de interesse ou prazer em tarefas cotidianas, alteração do apetite e do sono, agitação ou lentidão psicomotora, fadiga intensa, sentimento de inutilidade ou culpa excessiva, capacidade diminuída de pensar e agir, ideia de morte recorrentes. Estes são os sintomas que assolam onze milhões de brasileiros. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2030, a depressão matará mais do que a Aids, câncer  e doenças cardiovasculares. Isto se dará por conta do número de suicídios que pode causar e também porque o organismo fica debilitado por conta desta grave condição, favorecendo seu adoecimento. Você se inclui neste quadro?
As mulheres têm duas vezes mais chances de diagnóstico. Ou seja, para cada homem, existem duas mulheres deprimidas.  Por que será? Especialistas afirmam que a ruminação é um fator importante neste aspecto. Mulheres pensam mais vezes sobre o mesmo assunto. O pensamento vai e volta, como o capim na boca dos ruminantes. Já os homens, na maior parte das vezes, se entregam a atividades que os desviam do assunto: vão torcer para o time de futebol, jogar tênis, ingerir álcool, se afastando do tema que o incomoda. Por isso, são sub-diagnosticados, ou, de fato, deprimem menos.
No que se refere ao surgimento, quanto mais o tempo passa, mais crianças têm sido diagnosticadas. A depressão manifesta-se, atualmente, dez anos mais cedo que na geração passada. De 2008 até agora o número de crianças deprimidas subiu de 4,5% para 8%. São números alarmantes e que nos obrigam a concluir que isso é uma coisa de extrema relevância.
Mas, qual seria a causa deste aumento significativo? Segundo Martin Seligman (2005), pai da Psicologia Positiva, a razão está no olhar sobre nós mesmos, na impressão de fracasso diante dos desafios da vida. A sensação de que precisamos ser perfeitos também contribui para agravar o quadro. Ele ainda ressalta que a maneira como explicamos a nós mesmos a causa das adversidades pode fazer toda diferença. Se você tem um estilo explicativo otimista, provavelmente estará a salvo de desenvolver este mal. Mas, se for pessimista, já é meio caminho andado para a lama subjetiva. Aquele que tende a valorizar mais as coisas ruins, larga na frente na possibilidade de desenvolver esta doença. Caminha a passos largos rumo ao fundo do poço.  Isto quer dizer que não é o problema em si que importa, mas a maneira como você olha para ele. Como digo sempre: a realidade é uma questão de interpretação.
Carolina teve uma infância difícil, pobre e sofria muitas agressões físicas e verbais. Atualmente é bem-sucedida, tem uma família organizada e tenta não repetir os erros que sofreu no passado com seus filhos. Sempre acreditou que aquilo era temporário, que sairia daquela condição. Ela desenvolveu o modo de pensar otimista.  Rafaela, que não teve uma infância tão difícil é deprimida e sofre de falta de esperança crônica. Não acredita no futuro. Desde criança atribuía todas as adversidades ao azar e sua frase preferida era: “só podia ser comigo!”. Achava que tudo que acontecia de errado com ela e com os outros era culpa dela e que nada poderia mudar isso. Sendo assim, uma pequeno momento de dor se estendia até o mais absoluto sofrimento.  Elas tinham modos de pensar diferentes.
Em uma pesquisa muito interessante realizada na década de 1960, Martin Seligman e outros estudiosos fizeram experimentos com três grupos de cachorros. O primeiro foi colocado em uma baia e, quando levavam um choque, tinha autonomia para, com o fucinho desligar o botão e, assim, o desconforto cessava. O segundo grupo recebia o choque, mas não tinha controle e nada do que fizesse parava a sensação desagradável. Eles tentavam inúmeras vezes, mas não conseguiam. O terceiro grupo era de controle, portanto, não recebia choques. No segundo momento da pesquisa, todos os cachorros foram transferidos para um lugar onde poderiam, facilmente, escapar dos choques. Adivinhem o que aconteceu? Somente os cachorros das baias um e três fugiram do desconforto. Os da baia dois, que aprenderam que nada do que fizessem adiantaria para fugir da dor, ficaram inertes e nem tentaram sair da condição debilitante. Desamparo aprendido é o nome deste experimento famoso que abre possibilidades para entendermos melhor as razões da depressão.
É muito comum as pessoas falarem desse mal como se fosse um vírus que se pega no ar. Ou como uma doença que não dá chances ao indivíduo, como uma espécie de condenação que só pode ser tratada com remédios. Não é verdade! A depressão é a expressão máxima do pessimismo e é construída na vida do indivíduo que não estanca a dor no momento onde ela deve ficar. Ele a estende, tornando-a perpétua. Seligman afirma que os antidepressivos funcionam tanto para a depressão quanto os alucinógenos para ver as coisas belas. Em ambos os casos, os problemas emocionais que podiam ser resolvidos pela habilidade e pela ação do próprio indivíduo são transferidos para um agente externo na busca de solução.
Em Abington, na Inglaterra, um grupo de pesquisadores decidiu ensinar o otimismo às crianças entre dez e doze anos, com sintomas moderados de depressão. Ao aprenderem pensar sobre a maneira que pensavam, diminuíram a chance de generalizar o negativo, aumentaram as esperanças sobre o futuro e se sentiram mais capazes de decidir sobre a sua existência. Esta mudança cognitiva fez com que diminuíssem em cinqüenta por cento a chance de desenvolverem depressão. Este experimento foi repetido na Universidade da Pensilvânia com jovens adultos calouros e teve exatamente o mesmo resultado. Ou seja, mudando a maneira como você se explica sobre as coisas destrutivas que lhe acontece, você pode mudar sua condição em relação à depressão. O pessimismo é um fator de risco para, enquanto o otimismo nos protege dela. Nós não aprendemos ainda que devemos ensinar nossas crianças, e adultos também, que, se mudarmos a perspectivas sobre o assunto, transformamos a emoção que temos do mesmo. Podemos orientar para o otimismo com técnicas comprovadas cientificamente. E isto não quer dizer que sairemos por aí dizendo sempre: “vai dar tudo certo!”. Mas significa dizer que, mesmo dando errado,  não será para sempre. E ainda mais, dar errado faz parte do aprendizado. Somos humanos e é exatamente isto que nos caracteriza.