domingo, 29 de setembro de 2013

O QUE É “EDUCAÇÃO POSITIVA”?



“Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante”
(Paulo Freire)

Educação Positiva é o oposto da Educação Negativa? Não, claro que não, pois toda educação tende a ser positiva. A Educação Positiva é uma nova forma de abordagem para a educação de uma maneira geral. Educação nas escolas, Educação nas Famílias, Educação entre os Povos!  Ela começa a se esboçar em 1998, quando Martin Seligman, professor e pesquisador de Harvard projeta a sua teoria para uma nova ciência chamada Psicologia Positiva. Ele preconiza que o Bem-Estar PODE e DEVE ser ensinado na ESCOLA, pois o ESTADO DE HUMOR  interfere  na aprendizagem.

Diversas pesquisas tem confirmado a influência do humor no processo de aprendizagem. Um estado de humor positivo favorece a atenção e um pensamento mais criativo e holístico, pois abre a cognição para o novo. De bom humor, conseguimos vislumbrar maiores possibilidades  e enxergamos saídas para nossos problemas e questões.  Em contrapartida, um estado de humor negativo, produz atenção diminuída e um pensamento mais crítico e analítico, “favorecendo” a permanência no mesmo. O mau humor nos ancora no fato e nubla a nossa visão.

Um fato bastante grave é que a depressão hoje virou epidemia mundial e é dez vezes maior do que há cinquenta anos. Além disso, antigamente surgia por volta dos 30 anos, hoje em dia, aparece abaixo dos 15. Apesar de um aumento significativo do PIB mundial, a tristeza aumenta a cada dia. Nos estados Unidos, por exemplo, o poder de compra é três vezes maior hoje, a casa mediana dobrou de tamanho, há mais carros do que motoristas com habilitação, uma em cada duas crianças chega ao ensino superior, há mais acesso à música, menos racismo, mais direitos para a mulher, no entanto os americanos estão mais deprimidos.
Então, por que ensinar o Bem-Estar nas Escolas? Porque simplesmente ele é um antídoto à incidência galopante da depressão, é um modo de aumentar a satisfação com a vida e é um auxílio para uma melhor aprendizagem e a um pensamento mais criativo.

E o que é Bem-Estar? Segundo a Teoria da Psicologia Positiva  postulada por Martin Seligman, ele é composto por 5 elementos, a saber: Emoção Positiva, Engajamento, Sentido, Realização e Relacionamentos Positivos.

Esperança, Serenidade, Alegria, Paciência, Coragem, Gentileza, Afeição e Amor, são exemplos de emoções positivas. Elas podem construir e reconstruir a saúde física e mental, pois a chave para uma vida saudável e livre de doenças e estresse é manter as suas emoções sempre positivas. De que maneira fazer isto? Controle suas emoções e seus pensamentos. Só você é senhor de si mesmo.
Engajamento é o segundo elemento do Bem-Estar. Você já teve a sensação de que o tempo parou enquanto realizava uma determinada atividade? Ficou absolutamente absorvido numa tarefa e perdeu a consciência sobre si mesmo? Então você entrou em “estado de fluxo” e provavelmente fez muito bem o que estava se propondo. Quem faz o que ama e sabe fazer, é mais feliz e sendo assim, sente bem-estar subjetivo.

O Sentido é o terceiro elemento e diz respeito à significância que  alguma coisa tem para nós. O sentido dá VALOR à nossa existência e deve comandar as nossas atitudes no mundo. O que vale uma existência sem sentido?

O quarto elemento é a REALIZAÇÃO. Aristóteles,  trezentos anos antes de Cristo já dizia que para ser feliz é preciso que nos movimentemos. Não adianta sonhar, sem realizar. E para realizar nossos sonhos é preciso se programar e se planejar. Simples assim! É preciso transformar sonhos em metas possíveis de serem realizadas. Sem realização, continuamos sonhando a  um passo da frustração. Por isto, o “Progresso é a Realização de Utopias”, como já dizia Oscar Wilde.

O quinto elemento para o Bem-Estar subjetivo são os RELACIONAMENTOS POSITIVOS, pois não há nada melhor para a nossa vida que compartilhar com outras pessoas nossas conquistas e vitórias. Contrariando Sartre, “O Inferno Não São os Outros”, e sim nós mesmos quando não interagimos e não causamos emoções positivas em outras pessoas. Cientistas já comprovaram que praticar um ato de bondade, por exemplo, produz um aumento momentâneo do bem-estar maior do que qualquer outro exercício que já tenham testado. Então, vocês estão esperando o quê? Gentileza, além de gerar gentileza, produz um bem-estar danado.

Como Ensinar o Bem-Estar na escola?

Na Pensilvânia diversos cientistas ligados à psicologia positiva, montaram um projeto para a aplicação dos conceitos em uma escola. Este programa foi chamado de PROGRAMA DE RESILIÊNCIA PENN cuja meta principal é aumentar a capacidade dos alunos de lidar com os problemas do dia a dia. Ele é um dos mais pesquisados programas de prevenção à depressão do MUNDO. Durante as duas últimas décadas, 21 estudos avaliaram em comparação com grupos de controle. Estudaram mais de 3 mil crianças e adolescentes com idade entre 8 e 22 anos. Foi comprovado que, de forma confiável, ele previne a depressão, ansiedade e problemas de conduta entre os jovens.
Então, meus queridos, todos os dias pesquisas comprovam que ensinar o BEM-ESTAR nas escolas, nos clubes de futebol, na família, entre todos do universo:
 1) Reduz e previne a ansiedade;  2)REDUZ E PREVINE OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO ; 3) REDUZ O SENTIMENTO DE IMPOTÊNCIA ; 4) PREVINE OS NÍVEIS CLÍNICOS DE DEPRESSÃO E ANSIEDADE; 5) ) Funciona para pessoas de diferentes contextos sociais e étnicos; 6)  REDUZ OS PROBLEMAS DE CONDUTA; 7)  Melhora a saúde física e mental ; É hora de começarmos a pensar os modelos vigentes e pesquisar novas maneiras de educar pois, segundo Seligman, “ A Educação Positiva, em si mesma, é uma forma lenta e gradual de espalhar o bem-estar por todo o planeta. Está limitada pelo número de professores e pelo número de escolas dispostas a adotá-la.”

Até mais

Adriana Santiago
(Psicóloga Positiva – crp 05-20345)
Consultório: Copacapana – Santa Rosa - Itaipu
86622565/26092565/26094075


sábado, 28 de setembro de 2013

VOCÊ SABE O QUE É AUTISMO?

Veja este vídeo com a Psiquiatra Ana Beatriz Silva e esclareça algumas dúvidas!



Conheça o THEO!




E outros gênios:



E você, reviu seus conceitos?

domingo, 8 de setembro de 2013

WORKSHOP LINGUAGEM NÃO VERBAL



Agradeço sempre ao acolhimento de todos! Muito obrigada!











LINHA DO TEMPO COMPLEMENTAR PARA O BREVE HISTÓRICO DA PSICOLOGIA POSITIVA


BREVE HISTÓRICO DA PSICOLOGIA POSITIVA

Queridos leitores, pacientes, amigos, alunos, colegas de trabalho, sei que este espaço é destinado ao 
público em geral e não se restringe ao mundo acadêmico. Mas, ao preparar uma aula, pesquisei e descobri coisas interessantíssimas sobre a história da psicologia positiva e  por isto gostaria de compartilhar com vocês. Sei que foge um pouco do perfil do meu blog, mas prometo que é bem interessante. O objetivo do texto é criar uma visão panorâmica da história da psicologia positiva, que é extremamente recente. Surge agorinha mesmo, no fim do século passado, em 1998 com Martin Seligman e tem causado grande reverberação mundial.  O interessante aqui é observar como a responsabilidade pelo nosso bem estar vem mudando ao longo da história da humanidade. Percebam bem como o eu, a consciência e a racionalidade aparecem e desaparecem ao longo deste percurso.

Para atingir este objetivo vou precisar retornar a 300 anos antes de Cristo e falar sobre Aristóteles, filósofo grego que acreditava que toda ação humana é perpetrada para se atingir a felicidade. E, para ser feliz é preciso ser VIRTUOSO. E uma vida virtuosa exige ESFORÇO E MOVIMENTO. As virtudes, para Aristóteles são ATOS CONSTANTES que levam o homem para o caminho do bem. Elas fazem parte da natureza, são adquiridas pelo exercício e não são inatas.  É a virtude que dá valor à felicidade. Aqui o Eu e a racionalidade são responsáveis pelo movimento que leva a felicidade!

Com o advento do cristianismo, o eu perde força para os poderes do Deus único e maior e a racionalidade aristotélica cai por terra, levando junto a responsabilidade do indivíduo pela sua felicidade.

Quase dois mil anos depois, em 1879, a psicologia se aparta da filosofia e fisiologia e se torna uma ciência independente. Quando surgiu, a psicologia tinha a consciência como foco.  Além de curar as doenças, a psicologia tinha como objetivo tornar a vida das pessoas mais produtiva e feliz. Duas linhas então se destacam: O Behaviorismo e a Psicanálise. A primeira, considera  o indivíduo resultado de estímulos e respostas, expulsando a consciência da cena, e a segunda, foca no inconsciente, algo indizível, indescritível, que causa o sujeito. Mais uma vez, o eu e a cognição não entram no jogo. .

Em 1945, com o fim da II Guerra Mundial, a psicologia volta o seu olhar apenas para a doença, pois grandes investimentos foram feitos para que fossem amenizadas as consequências desta grande desgraça humana. Aqui, além do eu, a saúde mental também foi negligenciada.

Em 1950, começa a surgir a chamada Revolução Cognitiva, que traz para cena o PROCESSO DO CONHECIMENTO. Os Cognitivistas começam a se interessar pela FORMA que a mente estrutura e organiza a experiência. Não consideram mais o indivíduo como resultado de estímulos e respostas, como faziam os behavioristas, nem como resultado de algo indizível e indefinível como preconizavam os psicanalistas com a sua noção de inconsciente. Para os psicólogos cognitivos, o indivíduo atua organizando criativamente os estímulos recebidos no ambiente. Agora o EU entra em cena definitivamente.

Em 1960 ir a Psicologia Humanista de Maslow, e as Terapias Cognitivas e Ellis e Beck, começam a tomar corpo.  A questão central do Humanismo era: Se os psicólogos estivessem com o foco exclusivo na doença mental, como poderiam aprender alguma coisa sobre SAÚDE MENTAL e QUALIDADES HUMANAS? O Humanismo foi chamado também de terceira força pois sua intenção era SUBSTITUIR o COMPORTAMENTALISMO E A PSICANÁLISE.  Os pontos essenciais desta teoria eram: a ênfase no consciente, a crença na integralidade da natureza e na conduta do ser humano, a concentração no livre-arbítrio, na expontaneidade e no poder de criação do indivíduo e o estudo de tudo que tem importância para a condição humana. (Teoria da Autorrealização).  Carl Rogers também foi um importante teórico deste movimento. Ele inaugurou a chamada Terapia Centrada na Pessoa. Ao contrário do Maslow,  sua concepção teórica partiu do estudo de pessoas emocionalmente perturbadas. Ele propôs que cada pessoa possui uma tendência inata para atualizar as capacidades e potencialidades do EU. Para Rogers, a personalidade é moldada pelo presente e pela maneira como o percebemos conscientemente (Teoria da auto-atualização).  O fracasso do humanismo se deu pois a maioria dos psicólogos humanistas trabalhavam apenas em consultório e, ao contrário dos psicólogos acadêmicos, não fizeram o mesmo número de pesquisa e nem publicaram artigos ou treinaram novas gerações de pós-graduação para dar continuidade à sua tradição.

As chamadas TERAPIAS COGNITIVAS  começam a surgir também na década de 60  com Albert Ellis e Aaron Beck. Ambos psicanalistas começam a rever os seus conceitos. Não dá mais para negligenciar o EU.Em 1962  Albet Ellis cria a Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC)  que tem como objetivo identificar e mudar CRENÇAS irracionais consideradas as bases dos transtornos psicológicos. A TREC de ELLIS foi uma reação ao modelo psicanalítico que não levava em consideração as bases filosóficas das perturbações emocionais, atendo-se apenas à assuntos historicamente irrelevantes e desvalorizando o uso de técnicas comportamentais para a mudança de atitude. Aaron Beck utiliza as bases teóricas do Ellis e busca  compreender as causas da depressão. Em 1967 escreve seu primeiro livro propondo e sistematizando a Terapia Cognitiva: “Depressão: aspectos clínicos, experimentais e teóricos.

Na década de 70, Albert Bandura, autor da chamada TEORIA SOCIAL COGNITIVA, começou a enfatizar o papel do REFORÇO na AQUISIÇÃO DO COMPORTAMENTO. Para  Bandura, o indivíduo também é capaz de aprender através do REFORÇO VICÁRIO, ou seja, através da observação do comportamento dos outros e de suas consequências..   Para ele, tratar os sintomas, significa tratar o distúrbio, pois eles são a mesma coisa.   Criou o conceito de Auto-Eficácia que significa o nosso sentido de AUTO-ESTIMA ou de VALOR PRÓPRIO, sensação de adequação e eficiência em tratar dos problemas da vida. Agora, além do EU, o OUTRO é incluído nos  processos psicológicos.


E é a partir deste cenário que surge, em 1998, a Psicologia Positiva com Martin  Seligman que retoma o conceito de FELICIDADE  e VIRTUDES DE ARISTÓTELES e começa a construir a sua chamada PSICOLOGIA POSITIVA.  Martin Seligman, filósofo por formação, utiliza e transforma ideias lançadas pelo MOVIMENTO COGNITIVO e aproveita a sua influência como presidente da APA (Associação Americana de Psicologia)  e começa a construir a sua chamada PSICOLOGIA POSITIVA que põe no centro da questão o BEM-ESTAR SUBJETIVO DO INDIVÍDUO. E nós, queridos, estamos atualmente no centro deste movimento. Fazemos parte desta história. Cabe a nós, psicólogos e interessados na evolução das potencialidades humanas, dar continuidade a este novo modelo de pensamento. Novas propostas e intensas pesquisas serão bem aceitas e fortalecerão o movimento.  O convite está feito. 





Adriana Santiago
crp: 05-20345
Psicologia Positiva
Consultório: Itaipu - Santa Rosa - Copacabana