quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cuidado, o psicopata pode estar ao seu lado!


Cuidado, o psicopata pode estar ao seu lado!

          V
ocê conhece alguém extremamente articulado, que fala muito sobre si e está sempre tentando conquistar pessoas consideradas importantes? Um bajulador nato que conta histórias mirabolantes e mente tão bem que pode enganar o mais experiente habitante do planeta? Um cara que se acha o indivíduo mais importante do Universo, que tem o ego inflado, adora ter o poder sobre tudo e todos e desconsidera qualquer opinião diferente? Uma pessoa que reage desproporcionalmente a insulto, frustração ou ameaça? Alguém cujas regras sociais não fazem o menor sentido e não tem ligações afetivas com seus pares? Que não tem empatia e por onde passa deixa bolsos vazios e ou corações partidos? Um sujeito que, depois de ter causado horrores na vida das pessoas, sai por aí como se nada tivesse acontecido?  Cuidado, esta pessoa pode atingi-lo de maneira contundente e sem remorsos.
Os sinais  da psicopatia são observados desde a mais tenra infância. Criança que viola as regras impostas em sua idade, ou que não respeita os direitos alheios corre sérios riscos de se tornar um psicopata. Mentir, brigar com freqüência, furtar e desrespeitar, maltratar animais são comportamentos extremamente preocupantes se repetidos rotineiramente. O chamado transtorno de conduta é sinal de alerta, mas não quer dizer, necessariamente, que levará à psicopatia. A personalidade aqui ainda não está formada e não podemos fazer diagnósticos antes dos 18 anos de idade. No entanto, faz-se necessário, ficar muito atento, pois é certo que nem toda criança com transtorno de conduta se tornará um psicopata, mas todo psicopata foi uma criança com transtorno de conduta.
Em 1968, Mary Bell, uma menina inglesa de apenas onze anos de idade, matou por estrangulamento dois meninos entre três e quatro anos, sem dó nem piedade. Antes deste evento absolutamente cruel, quando tinha apenas dois anos de vida, seu comportamento era totalmente diferente das outras crianças: não chorava quando se machucava e adorava surrar seus brinquedos. Aos quatro anos tentou enforcar uma coleguinha e aos cinco presenciou a morte de outro amiguinho por atropelamento sem esboçar nenhum espanto. Depois da alfabetização ficou incontrolável: pichava paredes da escola, incendiou a casa onde morava, maltratava os animais. Filha de uma prostituta viciada em drogas e com distúrbios psiquiátricos, foi abandonada e entregue para a adoção várias vezes, sem sucesso. Antes disto, sofria da mãe biológica abusos sexuais e era obrigada também a usar drogas.
Uma questão aqui a ser levantada: será que estas crianças já nascem psicopatas, ou o ambiente é determinante para o desenvolvimento do transtorno? O que há de certo no meio científico é que um bebê pode não nascer psicopata, mas pode vir ao mundo com tendência e predisposição genética ao distúrbio, o que é boa parte do caminho andado. Mas, como genética não é “determinética”, o ambiente contribui muito para a expressão ou não do gene.
Mas, nem sempre o psicopata é um assassino cruel e impiedoso como retratado no caso da Mary Bell ou nas séries de TV e  filmes de serial killer do cinema americano. A maioria dos psicopatas não mata. Pode ser uma pessoa comum, que convive com você e lhe consome aos poucos, massacrando sua subjetividade e te despotencializando diariamente. O psicopata conquista sua confiança até que caia a  máscara de normalidade e fique claro a  falta de internalização de padrões morais. Ele é indiferente ao bem-estar alheio e sempre que se aproxima, tem a intenção de se dar bem. Considera  as pessoas como fonte de favores ou objetos através dos quais pode atingir suas metas e quando assume compromissos é só para conseguir o que quer, mas não cumpre o combinado.
            Geralmente tem uma inteligência acima da média e sabe muito bem a diferença entre o certo e o errado. O problema é que não absorve este padrão de comportamento moral. Um exemplo claro do pensamento de um psicopata  quando quer  estuprar uma mulher é: “Putz, ela pode engravidar e isto pode causar problemas para mim”. Em seguida, concluirá: “Melhor assistir ao jogo de futebol”. No entanto, se achar que a consequência vale o prazer, vai estuprá-la, sem culpa.  Ele é o centro do universo! Além dele, nada importa!

                Sua estrutura mental também é diferente dos seres humanos considerados “normais”.  O cérebro de um psicopata tem menor atividade nas estruturas ligadas às emoções e maior nas ligadas à razão. E isto revela a sua falta de empatia. Ele tem enorme dificuldade de se colocar no lugar do outro.
                 Segundo a Associação Americana de Psiquiatria (APA, sigla em inglês) 3% dos homens e 1% das mulheres possuem algum grau do chamado transtorno da personalidade antissocial ou psicopatia (ou sociopatia). Apesar dos dois conceitos serem usados como sinônimos, há uma diferença em seu diagnóstico: o primeiro é identificado como comportamento antissocial, enquanto o segundo diz respeito tanto ao comportamento quanto a um conjunto de traços de personalidade. Na verdade, o que fica claro aqui é a diferença no grau da maldade que um ou outro pode lhe causar.
                Muitas vezes é o marido cruel que ofende e maltrata a esposa, o chefe que humilha e pisa em seus funcionários, o pai que xinga seus filhos, o amigo que usa a confiança conquistada para pegar um empréstimo em seu nome, ou mesmo a amiga do peito que entra em sua casa para destruir o seu lar. Pode também ser o político boa praça que você votou nas últimas eleições, o pastor da igreja mais próxima, o padre da sua paróquia, o pai de santo do seu centro espírita. O psicopata não traz marcado em seu rosto, sinais do que pode ser capaz de fazer. A princípio, se apresenta como a pessoa mais agradável e doce que você pode vir a conhecer, mas aos poucos vai mostrando suas garras, até que você não tenha mais força e sucumba às suas maldades.

           Portanto, queridos, fiquem atentos, o psicopata pode estar ao seu lado.

            A seguir, algumas dicas para livrá-los deste mal:
AMIGO PSICOPATA:
MENTE MUITO: é um especialista neste assunto. É pior que  político em campanha. Se você observar que 90% do que diz não confere com a realidade, mantenha-se alerta.
OBSERVE A SUA VOLTA: se seus velhos amigos suspeitarem do sujeito em questão, fique atento. Você pode estar seduzido e não conseguir detectar os sinais claros que o psicopata emite.
NÃO FALE SOBRE SUA VIDA FINANCEIRA:  Ele tem alto poder de persuasão e pode fazer você entregar todas as suas economias ou mesmo fazer com que você pegue um empréstimo no banco.
NUNCA FAÇA NEGÓCIOS COM ELE:  Expressões como “uma mão lava a outra”, “te devo uma”, “só pediria uma coisa dessas a você”  são usadas antes das propostas indecorosas que ele está prestes a fazer. Não tope em nenhuma hipótese! Se fizerem uma bobagem juntos, ele, com certeza, o entregará.
OBSERVE SE ELE NÃO RESPEITA REGRAS SOCIAIS: O psicopata desconsidera leis e sempre dá um jeitinho para transgredi-las. Perceba se ele gosta de furar filas, passar cheques sem fundo, fazer compras que não pode arcar financeiramente, se não se comove com injúrias sofridas por outras pessoas.

AMOR PSICOPATA
É O PAR PERFEITO:  Geralmente, nos primeiros encontros, o psicopata se comporta como se fosse o homem ideal. Gosta até do filme francês que só você viu, adora comida japonesa e se encaixa perfeitamente no que lhe falta. Desconfie se não observar nenhum “defeito” nos primeiros encontros. Ele é o espelho do que completa a nossa fraqueza! Se apresenta impecavelmente, tanto na aparência, quanto na suposto sucesso profissional
É SEMPRE VÍTIMA: Psicopata legítimo adora se fazer de coitado. Se comete uma violência contra você, é porque a ama e sente muito ciúme. Se usa o seu dinheiro, é para mandar para a avó muito doente que mora no interior. Não tenha pena, pois a comoção é a porta aberta para que ele se instale e em qualquer menor sinal de violência, denuncie e saia de perto. Ele pode fazer coisa pior.
NÃO PENSE QUE PODE MUDÁ-LO: Fique atenta, até hoje não se sabe a cura para a psicopatia. Não há batalha espiritual que o faça melhorar. Nem mesmo a força do amor poderá restaurá-lo. O melhor sempre é se afastar.
OBSERVE SEU COMPORTAMENTO COM UM CACHORRO: É fato que os psicopatas treinam suas habilidades com os animais mais próximos. Mas, cuidado! Ele pode fingir amá-los também!
TENHA PRUDÊNCIA AO TERMINAR A RELAÇÃO: Psicopatas não reagem bem quando são dispensados. Se possível, troque o número de telefone, a fechadura da sua porta e avise aos amigos. Ele pode se tornar um grave problema para você.

O CHEFE PSICOPATA
O INSULTOR: Um psicopata adora esta posição, pois oficialmente se sente à vontade para insultar e qualquer desempenho abaixo da perfeição, se torna um prato cheio para que ele derrube o seu subordinado. Há um prazer sórdido em massacrar o outro subjetivamente.
ELE O RESPONSABILIZARÁ POR QUALQUER ERRO: Por isto é absolutamente necessário que você documente tudo. Se cerque de todas as provas, pois qualquer falha poderá ser usada para lhe comprometer na empresa.
NÃO BRIQUE COM ELE: Saia da rota de colisão e assim que possível distribua currículos. Brigar com um psicopata não é uma boa ideia.
DEIXE CLARO A SUA POSIÇÃO: Caso haja algum conflito com o chefe psicopata, se dirija ao RH e protocole uma queixa. É importante que outras pessoas saibam  para que a corda não arrebente para o lado mais fraco.

Boa sorte,
Até breve,

Adriana Santiago

CRP: 05-20345

Neuropsicóloga Positiva, Coach pessoal e empresarial, escritora, palestrante, autora do blog Papo Cabeça com Adriana Santiago.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A história de Roberto



Roberto, 46 anos, é um advogado muito bem sucedido, tem uma família estruturada, uma esposa “quase perfeita” e dois filhos pré-adolescentes que não dão muito trabalho. Procurou meu consultório, pois estava sendo invadido por um pensamento tenebroso: se imaginava matando toda a sua família num ataque de fúria.

Não havia nada, a princípio, que o motivasse a cometer um ato tão brutal: sua esposa, delicada e companheira, sequer o provocava com palavras rudes e seus filhos levavam uma vida dentro dos padrões normais para suas idades. A vida financeira era organizada e o trabalho o satisfazia completamente. Então, por que estas imagens e intenções o assolavam tão frequentemente? 

Ele vinha de uma infância absolutamente sofrida. Seus pais se odiavam, mas para cumprir as exigências sociais, religiosas  e por questões financeiras não se separaram e viviam em constantes e graves conflitos.  Seu pai era muito severo e rígido, não permitia que o menino chorasse nem expressasse qualquer tipo de emoção mais contundente e genuína. Roberto se controlava o tempo todo e se empenhava para cumprir as rígidas regras impostas por sua família. Fazia um esforço tremendo para ser bom em tudo que se comprometia a realizar e apesar de conseguir altos padrões de atuação, não ficava satisfeito com nada. A mãe, submissa ao pai, não tinha voz ativa, o acolhia quando ele se entristecia, mas não permitia também que fizesse escolhas. Nem pequenas, nem grandes. O menino Roberto não podia sequer decidir a roupa que iria usar, a forma que pentearia o seu cabelo, muito menos suas amizades.

Na adolescência namorou algumas meninas, mas seu interesse por elas se concentrava muito mais no aspecto intelectual do que propriamente nas questões corporais. Não havia nele uma virilidade natural de jovens começando a vida sexual. No entanto era notória a sua admiração pelos corpos de seus colegas de turma e da rua. Roberto fazia questão de jogar futebol, apesar de não ter muita habilidade com a bola, pois era neste momento que conseguia tocar os corpos dos garotos da sua idade. De fato, estas sensações precisavam ser reprimidas, pois ele não poderia admitir desejos tão proibidos. E assim, cresceu e conheceu a Carla, uma linda adolescente que poderia figurar muito bem ao seu lado e ajudá-lo a cumprir um papel exigido por sua família e pela sociedade.

No entanto, apesar de uma aparente felicidade e perfeição, o casal não tinha uma vida sexual satisfatória e ele controlava o intenso desejo que sentia pelos estagiários de seu escritório. De fato, nem ele mesmo podia admitir com clareza estes sentimentos e por isto necessitava de ajuda profissional. Não aceitava a homossexualidade e isto se expressava no desejo intenso de fazer desaparecer a sua família, o que lhe daria a franquia para expressar de fato seus anseios.

A homossexualidade masculina já foi muito valorizada entre os gregos e tolerada pelos romanos, mas foi vigorosamente condenada pelo advento do cristianismo. Na Grécia Antiga, era muito comum que os homens de bem desprezassem as mulheres, que consideravam inferiores e irracionais, e admirassem muito outros homens mais jovens. Eles podiam ter relações extraconjugais com concubinas, cortesãs e efebos, que eram meninos imberbes com quem faziam sexo. Quando estes meninos cresciam e se tornavam  cidadãos gregos, casavam, tinham filhos e buscavam seus próprios efebos. Isto quer dizer que a heterossexualidade não é natural, ela é imposta por questões culturais, o que causa de fato diversos transtornos atualmente em pessoas que não conseguem se expressar verdadeiramente.

É óbvio que a condução do tratamento incluía fazer com que Roberto entendesse que o melhor solução  era se separar da Carla e buscar a sua felicidade na expressão do seu verdadeiro eu. Melhor decepcionar a sociedade do que destruir vidas, inclusive a sua. Estamos trabalhando com afinco e Roberto já pensa em se mudar para uma casa menor, perto dos filhos, mas com a sua veracidade.


# atenção: todos os nomes citados acima são fictícios.

Escrevam para adrianasantiagopsi@gmail.com e contem a sua história.


Adriana Santiago

CRP: 05-20345

Psicologia Positiva
Tel: (021) 2609-4075  - 98662-2565

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Impacto do Perdão na cura da Depressão


 
Em 2004 a Organização Mundial da Saúde considerou a depressão a doença mais onerosa do mundo. (Global Burden of Disease; 2004) E estimou que de todas as mazelas, a depressão unipolar leva ao maior número de anos perdidos por incapacidade. Está no topo da lista tanto para homens como para mulheres, tanto para países ricos, como para países pobres. Em média um tratamento de um caso custa aproximadamente 5 mil dólares por ano nos EUA e há cerca de 10 milhões de casos todos os anos.

No Brasil e por todo o planeta Terra os números não são muito diferentes. Milhões de pessoas no planeta azulzinho sofrem com a depressão.

Foi por isto que Martin Seligman junto ao seu parceiro de jornada Tayab Rashid (2011), implantaram o serviço de psicoterapia positiva para pacientes deprimidos no SPA da Universidade da Pensilvânia. Os resultados foram surpreendentes. A psicoterapia positiva aliviou os sintomas depressivos em todas as avaliações de resultados, melhor que o tratamento de praxe e melhor, inclusive, que os medicamentos. Eles constaram que 55% dos pacientes tratados com psicoterapia positiva, 20% tratados com tratamento tradicional e 8% tratados com o uso de medicação, alcançaram a remissão dos sintomas.  Ou seja, a psicoterapia positiva foi muito mais eficaz do que os tratamentos convencionais. Martin Seligman (2011)  reconhece no seu livro Florescer   que apesar de ter trabalhado mais de 40 anos com psicologia, nunca presenciou resultados como estes.

A psicoterapia positiva proposta por Seligman e Rashid (2011) compõe-se, como outras psicoterapias, de um conjunto de técnicas que funcionam melhor quando associadas aos princípios terapêuticos básicos, como acolhimento, empatia, confiança, sinceridade e relacionamento profissional.

Num primeiro momento eles sugerem  que se faça uma avaliação das pontuações dos sintomas depressivos e de bem-estar do cliente. O segundo passo é discutir os sintomas depressivos e mostrar que são potencialmente explicados pela falta de bem-estar, ausência de emoção positiva, engajamento e sentido na vida. A seguir mostraremos o modelo estruturado de PPT produzidos por eles (SELIGMAN, 2011).
 
Resumo das 14 sessões:
Primeira Sessão: O cliente escreve uma “Introdução Positiva” de uma página (mais ou menos trezentas palavras), na qual conta uma história concreta mostrando a si mesmo em sua melhor forma e e ilustrando como usa suas mais altas forças de caráter.
Segunda Sessão: O cliente identifica suas forças de caráter a partir da introdução positiva e discute situações nas quais essas forças o ajudaram no passado. É aconselhável que se peça para fazer o teste VIA on-line para confirmação de tais forças.
Terceira Sessão: Identificamos situações específicas onde as forças de caráter identificadas possam facilitar o cultivo do prazer, o engajamento e o sentido. A lição de casa aqui consiste em fazer com que o cliente faça um “diário de bênçãos”, no qual descreve, todas as noites, três coisas boas que aconteceram naquele dia.
Quarta Sessão: Discutimos o papel das boas e más lembranças na manutenção da depressão. O apego à raiva e à amargura mantém a depressão e mina o bem-estar. Aqui a lição de casa é escrever sobre sentimentos de raiva e amargura e sobre como eles alimentam a depressão.
Quinta Sessão: Pedimos ao cliente que escreva uma carta de perdão transcrevendo uma transgressão e as emoções relacionadas a ela, se comprometendo à perdoar o transgressor, mas não entrega a carta. O perdão aqui funciona comum uma ferramenta poderosa que pode transformar  sentimentos de raiva e amargura em neutralidade e até, em alguns casos,  em emoção positiva.
Sexta Sessão: O cliente é levado à escrever uma carta de agradecimento a alguém a quem nunca tenha agradecido apropriadamente e é estimulado a entregá-la pessoalmente.
Sétima Sessão: Reiteramos a importância de cultivar emoções positivas, pelos registros do diários de bênçãos  e do uso das forças de caráter.
Oitava Sessão: O cliente é encorajado à aumentar o seu nível de satisfação e, para que isto aconteça, é levado à traçar um plano de ação pessoal para a realização.
Nona Sessão: Discutimos otimismo e a esperança usando um estilo explanatório. Como lição de casa, sugerimos ao nosso cliente que pense em três portas que se fecharam para ele. Depois pedimos que eles pensem nas inúmeras que podem se abrir.
Décima Sessão: O cliente é levado a reconhecer as forças de caráter de pessoas que são importantes para ele. A orientação aqui é que ele reaja ativa e construtivamente à eventos positivos que relatados por outras pessoas.  Aqui ele acerta uma data para comemorar as forças de caráter de seus parceiros.
Décima Primeira Sessão: Mostramos como pode reconhecer as forças de caráter de seus pares e sugerimos que seus familiares façam o VIA na internet e em seguida produza uma “árvore” onde inclua todas as forças de caráter da família.
Décima Segunda Sessão: Introduzimos a apreciação como técnica para aumentar a intensidade e a duração da emoção positiva. Lição de casa: o cliente planeja atividades agradáveis e as pratica conforme o planejado. O cliente recebe uma lista de técnicas de apreciação.
Décima Terceira Sessão: Aqui o cliente deve usar parte do seu tempo para exercer a força de caráter identificada na psicoterapia.
Décima Quarta Sessão: Discutimos a vida plena, que integra o prazer, o engajamento e o sentido.

 

Podemos perceber aqui, o quão é importante o fato de perdoar, pois sem esta ferramenta poderosa, o cliente não conseguirá proceder nos outros passos.

Seligman (2011) ressalta que as descobertas feitas  são um avanço, não conclusivos, mas suficientemente intrigantes pois é muito pouco custoso e funciona para a depressão de modo bastante confiável.
Até mais!!!!!!


Adriana Santiago


CRP: 05-20345

Neuropsicóloga Positiva, Coach pessoal e empresarial, escritora, palestrante, autora do blog Papo Cabeça com Adriana Santiago.

 

domingo, 21 de setembro de 2014

O Perdão Para a Sexualidade


           O cristianismo inaugurou a culpa na civilização, pois trouxe como principal novidade a ligação entre carne e pecado. E foi Paulo “O apóstolo dos Gentios” (9-64) quem levou a moral cristã para o cerne da cena cultural. Considerado, depois de Jesus, a figura mais importante desta “nova” religião, fez do cristianismo uma doutrina acessível e mudou o curso da história, criando  argumentos profundos e convincentes à respeito do significado do Cristo.
           Paulo, de família abastada, oriundo de uma educação clássica, tinha como nome verdadeiro Saulo, pois provinha de uma família judia da diáspora. Era um cidadão Romano que começou sua jornada perseguindo cristãos, mas converteu-se após uma visão do Cristo ressuscitado. Segundo Regina Navarro em seu Livro do Amor (2012) ele deturpou os ensinamentos de Jesus e transformou o cristianismo numa religião universal. Foi ele quem emancipou o judaísmo do cristianismo, criando um irreversível corte no entendimento da supremacia divina. Os judeus ortodoxos se ofenderam quando ele pregou que Jesus era o próprio Deus.
            Apesar de não ter conhecido Jesus Cristo,  Paulo pregava em seu nome repetindo o que Ele havia dito e acrescentando o que achava correto. Também escrevia cartas que mais tarde foram consideradas sagradas. No centro do seu discurso estava o antissexualismo, que se tornou um refrão obsessivo no decorrer dos tempos. A partir de Paulo, a condenação à sexualidade só fez crescer. São Paulo e vários outros cristãos deixaram as mais duradouras impressões em todas as ideias cristas sobre a repulsa ao sexo.  (Navarro, 2012).
         Em suas pregações, Paulo insistia na oposição entre carne e espírito e salientava que a carne era a fonte principal de todo o pecado. Dizia que os homens deveriam permanecer celibatários, as viúvas castas e as solteiras virgens. Não aceitava também o casamento, senão como um mal menor que também devia ser evitado. Ele dizia, por exemplo, que o era um pecado no caminho da salvação, mas que era melhor casar-se do que arder em desejo.  Era considerado mau tudo que fosse relacionado a carne. E o argumento era o de que a mulher (como um todo) e o homem (da cintura para baixo), eram criações do demônio.  
        O ato sexual tornou-se repulsivo, degradante, indecoroso e todo o prazer deveria ser evitado a qualquer custo. O horror à danação eterna, com todos os tormentos do inferno, era constante nas pregações dos novos cristãos. Para os pais da Igreja, o sexo era abominável: “uma experiência da serpente”, “um sistema de vida repugnante e poluído”.
          Para que não houvesse atração entre os cristãos puros, a falta de higiene se tornou pré- requisito para a salvação. São Jerônimo, por exemplo, afirmou que uma virgem adulta jamais deveria banhar-se. Na verdade, deveria envergonhar-se de ver sua própria nudez. O eremita Santo Abraão viveu cinquenta anos sem jamais lavar os pés e rosto. Santa Eufásia entrou para um convento com cento e trinta freiras que nunca lavaram os pés e estremeciam à ideia de banho. Os piolhos eram chamados de “pérolas de Deus” e estar sempre coberto por eles era a marca da santidade. (Navarro, 2012). E assim, a sujeira tornou-se virtude e qualquer coisa que tornasse o corpo mais atraente era considerado um incentivo ao pecado.  
       O repúdio e a atenção à sexualidade eram imensos. Até mesmo os mortos eram considerados sexuados e por isto, um édito da Igreja, ordenou que corpos femininos e masculinos não deveriam ser enterrados lado a lado. A aproximação só era possível quando os corpos estavam quase totalmente decompostos.
    No fim do século III era muito comum que homens e mulheres fugissem para o deserto em busca da pureza sexual. Eles se afastavam de comunidades civilizadas, a fim de viver uma vida monástica e ascética. Ocupavam  grutas e cabanas. Mas os mais devotos preferiam os poços secos, covis de feras abandonados, ou até mesmo túmulos. Não se lavavam e exalavam um cheiro fétido. Na luta pela castidade, o cristão deveria se privar do sono, do conforto e da alimentação. Temendo à danação eterna, eles se autoflagelavam, torturavam e  se mortificavam com o propósito de expiar culpas ligadas ao desejo sexual.
         Navarro (2012) nos conta que um monge, sabendo da morte de uma mulher que conhecera, esfregou seu manto no corpo em decomposição, para combater, com terrível odor que exalava, a imagem atraente que lhe causava desejo. A volúpia  era tanto que os celibatários ejaculavam involuntariamente, o que causava grande horror e frustração. Como consequência, aumentavam o grau de sacrifício do seu próprio corpo para compensar o pecado da luxúria. O contrário disso, a supressão da emissão de esperma, era vista como a verdadeira graça dos que atingiam a castidade.
          Desta maneira o cristianismo veio para criticar os luxos e castigar os prazeres comuns na Grécia Antiga e em Roma. E até hoje carregamos esta culpa pela sexualidade em sua pura essência. Conscientemente ou não, homens e mulheres possuidores de desejos sexuais normais, tornam-se obcecados pela culpa. Muita gente renuncia à sexualidade e isto gera muitos conflitos. Acreditam que a imagem do corpo nu, experimentando prazeres sexuais são obscenas e nocivas. Existe um medo absurdo de não conseguirem entrar no Reino dos Céus se derem vazão aos seus desejos.
          Atualmente a  OMS (Organizaçao Mundial da Saúde) preconiza que a atividade sexual é índice que mede a qualidade de vida das pessoas, mas mesmo assim, muita gente  ainda sofre por conta de seus desejos sexuais, suas frustrações, seus temores, suas vergonhas e suas culpas.
         Um estudo americano provou que fazer sexo duas vezes por semana, no mínimo, ajuda a diminuir a incidência de diabetes e a pressão arterial. O American Journal of Cadiology garante que exercer a sexualidade ajuda a proteger o coração. A Universidade de Nova York diz que o sexo melhora o sistema imunológico, suprime a dor e reduz a enxaqueca. Carmita Abdo, médica do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo afirma que “Pessoas que tem relações sexuais com regularidade conseguem equilibrar seus hormônios e estimular suas potencialidades, além de aumentar a autoestima e o animo para trabalhar e enfrentar os problemas cotidianos”. Na Inglaterra, Alemanha e França, pesquisadores provaram que “pessoas que praticam sexo com frequência vivem mais e correm menos risco de desenvolver câncer”.
             O que isto tudo quer dizer? Que a culpa que pesa sobre as questões sexuais está muito mais ligada à aspectos religiosos, do que propriamente à questões internas do indivíduo. A moral cristã abomina a sexualidade e traz para o sujeito o peso de uma negação que culmina em doenças psíquicas e físicas, comumente irreversíveis. Muitas vezes o sexo é visto como algo perigoso, imoral, mas podemos perceber através de vários aspectos que  é bom e faz bem para o corpo e para a alma.

 

 
Muito Obrigada

Adriana Santiago

CRP: 05-20345

Neuropsicóloga Positiva, Coach pessoal e empresarial, escritora, palestrante, autora do blog Papo Cabeça com Adriana Santiago.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

GRATIDÃO FAZ BEM PARA O CORPO E PARA A ALMA

Feche seus olhos por alguns instantes, traga à sua mente o rosto de alguém que mudou a sua vida para melhor e você nunca agradeceu adequadamente. Retenha esta imagem por algum tempo.
Quando nos sentimos gratos nos beneficiamos da lembrança agradável do acontecimento positivo na nossa vida. A gratidão pode tornar a  existência mais feliz e satisfatória. De fato,  é um antídoto contra emoções negativas, algo que neutraliza a inveja, a avareza, a hostilidade, o aborrecimento e a irritação. Por consequência, quanto mais grata, menos deprimida, ansiosa, solitária, invejosa e neurótica a pessoa é.
Mas, o que é gratidão? Ser grato é muito mais do que dizer “obrigado (a)” por um favor ou presente recebido. A prática da gratidão envolve focar-se no momento presente, na valorização da vida tal como ela é. Ser grato é reconhecer o outro como parceiro, como indivíduo constituinte de seu universo particular. Este tema, assim como o perdão, a felicidade, o amor, os relacionamentos têm sido objeto de investigação científica. Vários pesquisadores na atualidade se dedicam a estes temas para aumentar o nível de bem estar das pessoas deste planeta azul.
Robert Emmons, professor da Universidade de Oxford, define gratidão como uma sensação percebida de maravilhamento, agradecimento e valorização da vida. Ele realizou um estudo onde persuadiu estudantes e adultos com doenças crônicas à contarem cinco motivos pelos quais se sentiam agradecidos durante dez  semanas seguidas. Constatou uma tendência dos pesquisados à se sentirem mais satisfeitos e otimistas, o que melhorou significativamente sua condição física. Ficou provado, então, que expressões de gratidão têm relação causal com as recompensas de saúde mental e física.
Sonja Lyubomirsky, pesquisadora da University of California, realizou diversas estudos científicos para entender o que faz o ser humano mais feliz. Concluiu que expressar a gratidão é uma metaestratégia para alcançar a felicidade. Sua questão central se resumia no seguinte: “como as pessoas podem se tornar mais felizes ao longo do tempo?”. O objetivo de sua pesquisa era determinar a extensão da influência em tempo real da gratidão sobre o afeto e a saúde positiva. Ou seja, se a pessoa se sente mais feliz no dia em que está tentando ser mais agradecida. Orientaram, então, participantes à manterem uma espécie de “diário de gratidão”. Anotavam sempre: “Esta semana fiquei agradecido por _________, _________, __________”. Eles se dedicaram a esse exercício por seis semanas. Os que conseguiram contar suas bênçãos de maneira regular,  tornaram-se visivelmente mais felizes.
Depois desta pesquisa, Lyubomirsky, destacou oito razões pelas quais vale a pena demonstrar gratidão:
1)    Pensar de maneira agradecida incentiva a saborear as experiências positivas. Apreciando e tendo prazer em algumas dádivas de sua vida, você poderá atrair o máximo de satisfação e divertimentos possíveis das circunstâncias atuais.
2)    Expressar gratidão favorece o automerecimento e a autoestima. Quando se compreende o quanto as pessoas fizeram por você ou o quanto realizou, se sente mais confiante e eficaz.
3)    A gratidão auxilia a lidar com os traumas e reinterpretar as experiências estressantes ou negativas. É menos provável que lembranças traumáticas venham à tona. Auxilia a resiliência.
4)    Encoraja o comportamento moral. É provável que pessoas mais agradecidas ajudem mais as outras e sejam menos materialistas.
5)    Ajuda a estabelecer laços sociais, fortalece relações existentes e alimenta as novas. Um diário de agradecimento pode produzir sentimentos de maior vínculo com os outros.
6)    Expressar gratidão inibe comparações com os outros. Se você é agradecido pelo que tem (família, saúde, casa, por exemplo) é menos provável que preste atenção ou inveje o que seu vizinho tem.
7)    A prática da gratidão é incompatível com emoções negativas e pode, ao contrário, diminuir ou tolher sentimentos de raiva, amargura e cobiça. É difícil sentir culpa, ressentimento ou ira, quando se está agradecido.
8)    A gratidão nos ajuda a manter por mais tempo a satisfação pelo que conquistamos ou realizamos. Muitas vezes esquecemos rapidamente nossas grandes e pequenas conquistas.
Então, você está esperando o quê? Vamos lá, expresse a sua gratidão de forma atenciosa e intencional. Isso vai fortalecer também os seus relacionamentos.
Lembra daquela pessoa que eu pedi que você imaginasse no início do nosso conversa? Escreva uma carta de gratidão para ela e entregue-a pessoalmente. Se não for possível entregar, guarde-a, mas escreva assim mesmo.
Esta carta deve ser concreta,  objetiva e possuir cerca de 300 palavras. Seja específico sobre o que esta pessoa fez por você e diga como isto mudou a sua vida. Informe-a sobre o que você está fazendo agora e mencione que se lembra frequentemente do que ela fez. Capriche na carta! Surpreenda seus pares! Seja feliz!
Sou grata por você existir e estar lendo este texto agora! Até mais......  




Adriana Santiago
CRP 05-20345
Psicóloga Positiva
Tel: 2609-4075/98662-2565


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Você controla suas emoções ou é (des) controlado por elas?





Existe uma glandulazinha dentro da cabeça da gente que tem me aguçado a curiosidade ultimamente. Ela se chama amígdala e é a senhora absoluta de algumas das nossas emoções. Imagino que você esteja pensando agora: “Mas as amígdalas não ficam na garganta?”. Não esta, amigos! A amígdala a qual me refiro está localizada no centro cerebral e faz parte de algo que chamamos de sistema límbico. Este sistema desempenha um papel importantíssimo na nossa vida, pois regula emoções como o medo, a raiva, a fome e a atração sexual.
Mas, o que são emoções? De que maneira elas se fazem representar? Em um primeiro momento, as emoções se apresentam como alterações fisiológicas: o coração acelera, em determinadas partes do corpo o suor se intensifica, acontece uma inquietação motora. No momento seguinte, estas sensações começam a se expressar na nossa mímica corporal, e o nosso corpo se “comporta” inconscientemente de maneira universal. Ou seja, esta mímica corporal que corresponde à primeira sensação é igual em todos os humanos em qualquer lugar do planeta terra. Japoneses, brasileiros, franceses e americanos, por exemplo,  têm os mesmos gestos físicos correspondentes para emoções básicas. Num terceiro momento temos a vivência subjetiva que significa, a grosso modo, perceber como é estar em um determinado estado emocional. O quarto passo é a ativação dos pensamentos que são ligados à esta emoção.
Vou explicar melhor: na primeira fase, que chamamos de pré-emoção, os  sentimentos não são muito claros, nem voltados para um objeto. O que há aqui é uma excitação fisiológica. A situação pode parecer positiva ou negativa, sem que tenha sido analisada em detalhes. A pessoa simplesmente sente bem-estar ou desconforto.
A segunda fase é um processo rápido de estímulos visuais que despertam medo, felicidade, tristeza, raiva e se expressam inconscientemente em todo o nosso organismo. Por exemplo, ao avistarmos um homem em uma rua escura e deserta à noite, mesmo sem sabermos se é um inofensivo transeunte ou um possível agressor, já reagimos à ele. O estímulo memorizado como perigoso desencadeia uma reação ancestral de medo.
Logo depois deste momento, passamos para as emoções cognitivas primárias,  que é um processo mais lento, consciente e se dá no córtex visual. Esta fase permite que façamos uma representação mais exata do objeto visto. Usando o exemplo acima: é neste instante que constatamos se o rapaz em questão oferece ou não uma ameaça real. Os sentimentos aqui não são os mais básicos, mas derivam deles e manifestam-se como contentamento, satisfação, ameaça, ansiedade, irritação, frustração, decepção ou prostração.
A quarta e última fase deste processo emocional é o que chamamos de emoções cognitivas secundárias. Aqui os pensamentos têm um peso cada vez maior. Entra em cena toda uma teoria sobre as relações sociais. Uma manifestação de medo como emoção cognitiva secundária, por exemplo, seria imaginar ser morto pelo homem que transita na rua deserta e vai ao seu encontro.  É aqui que “moram” as expectativas sobre o futuro e as normas sociais. Lugar da vergonha, do ciúme e do orgulho.
Nossas emoções, portanto, cumprem funções fundamentais se soubermos usá-las à nosso favor. Primeiramente, nos permitem avaliar os estímulos do ambiente. Nós sentimos aquilo que “pensamos” sobre uma ou outra situação  de maneira extremamente rápida. Depois, nos preparam e nos motivam para a ações: quando sentimos medo, por exemplo, nosso pulso acelera, nossa pupila se dilata  e  os músculos ficam retesados, nos preparando para batermos em retirada. A terceira função das nossas emoções é indicar ao outro nossas próprias intenções através da mímica corporal. O sorriso nos lábios indica para o outro uma postura amigável. E por último, as emoções nos ajudam a controlar nossas relações sociais. Emoções complexas como amor, inveja e ciúme impõem regras e limites no contato com os outros. Funcionam como uma espécie de “filtro” para lidarmos com estímulos internos e externos. Quanto mais percebemos nossos limites e os dos outros, mas fácil fica manter o equilíbrio e nos preservar.
Observamos aqui o quanto é importante “filtrar” as nossas emoções. Elas partem do âmago do cérebro, e não do coração como imaginávamos há algum tempo, e podem ser despejadas no universo doa a quem doer, ou podem passar por um processo de lapidação e ordenamento, dando voltas pelo córtex e se expressando suavemente para nossos pares.
Amígdala inflamada têm as pessoas que não conseguem controlar as emoções. Elas são vítimas das suas próprias entranhas e intrigas e simplesmente não conseguem perceber isto. Uma boa terapia serve para deixá-lo no controle de suas emoções e, por conseguinte, para fazer com que defina o que você é e o que quer! Por agora, adianto algumas dicas de atitudes internas que podem ajudá-lo a manter situações tensas sobre controle, evitando desgastes desnecessários.

1)    Em meio ao caos, para e pense: esse episódio tem mesmo toda essa importância que estou dando?
2)    Considere que mesmo a pessoa mais teimosa, raramente tem uma questão pessoal com você. Este pode ser um problema somente dela.
3)    Fale consigo mesmo e tranquilize-se dizendo: “Fique calmo....!”
4)    Utilize técnicas de relaxamento para normalizar a sua respiração.
5)    Tome situações difíceis como desafios e não como problemas.
6)    Conceda-se uma pausa depois de uma conversa desagradável.
7)    Evite expor-se demais; mostre sentimentos somente em ambientes protegidos, com pessoas de confiança.
8)    Ria de si mesmo; o bom humor ajuda a dissipar tensões.
9)    Lembre-se, ninguém é excelente o tempo todo; aceite erros, os seus e os dos outros.
10)  Aproveite o dia de hoje, não se prenda ao passado nem crie expectativas enormes para o futuro.

Enfim, seja feliz e assuma o timão do seu navio. A vida é sua e a realidade depende muito mais de você do que do outro, da vida, de Deus ou do acaso.


Beijos e até breve
Adriana Santiago
CRP: 05-20345


quarta-feira, 14 de maio de 2014

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?



Avião, altura, dentista, cobra, sapo, assalto, violência de uma forma geral? Ou mesmo, ficar sozinho, falar em público, amar de novo? O que você teme?
O medo pode ser normal e ajudar a nos proteger, ou anormal e atrapalhar muito a vida,  nos aprisionando em nossas próprias emoções. Existem pessoas que sofrem com fobias e não conseguem justificar tamanho pavor. Uma paciente relatou ter medo enorme de lagarta, daquelas que ficam em árvores e queimam a pele ao menor contato. Sempre que imaginava ou lembrava da famigerada lagarta, suava frio, seu coração acelerava e tinha vontade de fugir.
É assim mesmo; mais que um estado de espírito, o medo é químico e causa sensações no corpo. Quando alguém se sente em risco, seu metabolismo se acelera, antecipando a vontade de fugir ou se defender. O coração bate mais forte, os nervos respondem em menor tempo, os olhos se dilatam para poder enxergar melhor, a pele esfria e fica arrepiada.
O medo também tem um componente genético. Um rato de laboratório, por exemplo, se apavora com o cheiro de uma raposa, sem nunca ter visto uma. Nós, humanos, também ficamos apreensivos diante de situações que colocavam em risco nossos antepassados. Na época em que o cérebro se desenvolvia, as picadas de cobra e os ataques mortais de inimigos ferozes representavam ameaças reais, por isto, até hoje quando se depara com uma cobra, a maioria das pessoas sente medo, mesmo que esta não seja venenosa.
Uma reação em cadeia começa a se dar no cérebro, máquina poderosa de aproximadamente um quilo e meio, que controla todo o corpo. Funciona assim: o tálamo, o receptor cerebral, passa informações para a amígdala, glandulazinha do tamanho de uma noz que fica bem no centro do nosso comandante, onde são processadas todas as emoções primitivas como medo, ódio, amor e raiva. A amígdala, por sua vez, recebe as informações enviadas pelo tálamo e analisa os dados com a ajuda do córtex visual. Este córtex é o responsável pelo raciocínio. Partindo de uma espécie de “acordo”, eles decidem juntos se é conveniente ou não fugir.  Acontece que nos medos “sem sentido” ou “exacerbados”, que normalmente  chamamos de pânico ou fobia, não há este acordo. A amígdala não consulta o córtex e dispara o comando de fuga para o corpo. É como se a amígdala estivesse num processo de aborrecimento  com o córtex e não quisesse a sua opinião. É uma espécie de falha no circuito que causa o chamado “medo irracional”, característico do ataque de pânico.
Muitas pessoas acometidas por este transtorno vão parar no pronto-socorro ou passam por diversos consultórios médicos antes de procurar um psicólogo. Têm a impressão que vão morrer: uma onda de sensações desagradáveis como falta de ar, dormência dos membros, receio de enlouquecer se inicia e atinge seu ápice em menos de dez minutos. Este medo paralisa, imobiliza e para não ter que enfrentá-lo, é comum começarem a fugir de situações corriqueiras e cotidianas, dificultando assim a sua existência.
Este tipo de transtorno parece não ter uma causa específica. Cientistas afirmam que é mais provável que seja resultado  da herança  biológica, fatores psíquicos e ambientais, tudo isto juntos e misturados, se potencializando.
A Terapia Cognitivo Comportamental é uma abordagem breve com excelentes resultados para este tipo de transtorno. Ela  ajuda o paciente perceber padrões de pensamentos que alimentam seus medos, apresentando estratégias para lidar com eles, pois a forma como vemos a realidade e a interpretamos influencia as emoções, comportamentos e reações fisiológicas. Podemos “entender” a realidade de maneira exageradamente negativa ou catastrófica, aumentando nossos medos.  A realidade mora dentro da cabeça da gente, pois somos e vemos o mundo de acordo com o que pensamos. Cuidar dos nossos pensamentos significa zelar por nossa realidade interna e externamente.
Sentir medo é absolutamente necessário para nos manter vivos. Seria impossível dar continuidade à espécie humana se não tivéssemos este sentimento para sinalizar que estamos em risco de vida. O problema é quando este medo, em vez de servir como alerta de risco, se transforma em um transtorno para nossa existência e nos impede de viver plenamente! Corajoso não é quem não tem medo, mas quem enfrenta seus monstros e sai vitorioso da batalha. Uma dica para driblar o medo é  refletir sobre o assunto. Dê tempo para que o circuito cerebral ocorra normalmente. Permita que a sua amígdala discuta o assunto com o seu córtex cerebral, ou seja, abra espaço para a razão dominar a emoção, tome posse dos seus sentimentos e saiba que, se conseguir passar por isto, isto passa.  É simples assim. Dê um tempo, respire e sinta-se no controle da situação. Seja feliz, transforme a sua realidade e  não desperdice a  existência, afinal você é o que você pensa!
Até a próxima!
Adriana Santiago
CRP: 05-20345
Psicóloga Positiva
(Consultório Copacabana – Itaipu – Santa Rosa)

Tel: 98662-2565/2609-4075