quarta-feira, 14 de maio de 2014

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?



Avião, altura, dentista, cobra, sapo, assalto, violência de uma forma geral? Ou mesmo, ficar sozinho, falar em público, amar de novo? O que você teme?
O medo pode ser normal e ajudar a nos proteger, ou anormal e atrapalhar muito a vida,  nos aprisionando em nossas próprias emoções. Existem pessoas que sofrem com fobias e não conseguem justificar tamanho pavor. Uma paciente relatou ter medo enorme de lagarta, daquelas que ficam em árvores e queimam a pele ao menor contato. Sempre que imaginava ou lembrava da famigerada lagarta, suava frio, seu coração acelerava e tinha vontade de fugir.
É assim mesmo; mais que um estado de espírito, o medo é químico e causa sensações no corpo. Quando alguém se sente em risco, seu metabolismo se acelera, antecipando a vontade de fugir ou se defender. O coração bate mais forte, os nervos respondem em menor tempo, os olhos se dilatam para poder enxergar melhor, a pele esfria e fica arrepiada.
O medo também tem um componente genético. Um rato de laboratório, por exemplo, se apavora com o cheiro de uma raposa, sem nunca ter visto uma. Nós, humanos, também ficamos apreensivos diante de situações que colocavam em risco nossos antepassados. Na época em que o cérebro se desenvolvia, as picadas de cobra e os ataques mortais de inimigos ferozes representavam ameaças reais, por isto, até hoje quando se depara com uma cobra, a maioria das pessoas sente medo, mesmo que esta não seja venenosa.
Uma reação em cadeia começa a se dar no cérebro, máquina poderosa de aproximadamente um quilo e meio, que controla todo o corpo. Funciona assim: o tálamo, o receptor cerebral, passa informações para a amígdala, glandulazinha do tamanho de uma noz que fica bem no centro do nosso comandante, onde são processadas todas as emoções primitivas como medo, ódio, amor e raiva. A amígdala, por sua vez, recebe as informações enviadas pelo tálamo e analisa os dados com a ajuda do córtex visual. Este córtex é o responsável pelo raciocínio. Partindo de uma espécie de “acordo”, eles decidem juntos se é conveniente ou não fugir.  Acontece que nos medos “sem sentido” ou “exacerbados”, que normalmente  chamamos de pânico ou fobia, não há este acordo. A amígdala não consulta o córtex e dispara o comando de fuga para o corpo. É como se a amígdala estivesse num processo de aborrecimento  com o córtex e não quisesse a sua opinião. É uma espécie de falha no circuito que causa o chamado “medo irracional”, característico do ataque de pânico.
Muitas pessoas acometidas por este transtorno vão parar no pronto-socorro ou passam por diversos consultórios médicos antes de procurar um psicólogo. Têm a impressão que vão morrer: uma onda de sensações desagradáveis como falta de ar, dormência dos membros, receio de enlouquecer se inicia e atinge seu ápice em menos de dez minutos. Este medo paralisa, imobiliza e para não ter que enfrentá-lo, é comum começarem a fugir de situações corriqueiras e cotidianas, dificultando assim a sua existência.
Este tipo de transtorno parece não ter uma causa específica. Cientistas afirmam que é mais provável que seja resultado  da herança  biológica, fatores psíquicos e ambientais, tudo isto juntos e misturados, se potencializando.
A Terapia Cognitivo Comportamental é uma abordagem breve com excelentes resultados para este tipo de transtorno. Ela  ajuda o paciente perceber padrões de pensamentos que alimentam seus medos, apresentando estratégias para lidar com eles, pois a forma como vemos a realidade e a interpretamos influencia as emoções, comportamentos e reações fisiológicas. Podemos “entender” a realidade de maneira exageradamente negativa ou catastrófica, aumentando nossos medos.  A realidade mora dentro da cabeça da gente, pois somos e vemos o mundo de acordo com o que pensamos. Cuidar dos nossos pensamentos significa zelar por nossa realidade interna e externamente.
Sentir medo é absolutamente necessário para nos manter vivos. Seria impossível dar continuidade à espécie humana se não tivéssemos este sentimento para sinalizar que estamos em risco de vida. O problema é quando este medo, em vez de servir como alerta de risco, se transforma em um transtorno para nossa existência e nos impede de viver plenamente! Corajoso não é quem não tem medo, mas quem enfrenta seus monstros e sai vitorioso da batalha. Uma dica para driblar o medo é  refletir sobre o assunto. Dê tempo para que o circuito cerebral ocorra normalmente. Permita que a sua amígdala discuta o assunto com o seu córtex cerebral, ou seja, abra espaço para a razão dominar a emoção, tome posse dos seus sentimentos e saiba que, se conseguir passar por isto, isto passa.  É simples assim. Dê um tempo, respire e sinta-se no controle da situação. Seja feliz, transforme a sua realidade e  não desperdice a  existência, afinal você é o que você pensa!
Até a próxima!
Adriana Santiago
CRP: 05-20345
Psicóloga Positiva
(Consultório Copacabana – Itaipu – Santa Rosa)

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