quinta-feira, 19 de junho de 2014

GRATIDÃO FAZ BEM PARA O CORPO E PARA A ALMA

Feche seus olhos por alguns instantes, traga à sua mente o rosto de alguém que mudou a sua vida para melhor e você nunca agradeceu adequadamente. Retenha esta imagem por algum tempo.
Quando nos sentimos gratos nos beneficiamos da lembrança agradável do acontecimento positivo na nossa vida. A gratidão pode tornar a  existência mais feliz e satisfatória. De fato,  é um antídoto contra emoções negativas, algo que neutraliza a inveja, a avareza, a hostilidade, o aborrecimento e a irritação. Por consequência, quanto mais grata, menos deprimida, ansiosa, solitária, invejosa e neurótica a pessoa é.
Mas, o que é gratidão? Ser grato é muito mais do que dizer “obrigado (a)” por um favor ou presente recebido. A prática da gratidão envolve focar-se no momento presente, na valorização da vida tal como ela é. Ser grato é reconhecer o outro como parceiro, como indivíduo constituinte de seu universo particular. Este tema, assim como o perdão, a felicidade, o amor, os relacionamentos têm sido objeto de investigação científica. Vários pesquisadores na atualidade se dedicam a estes temas para aumentar o nível de bem estar das pessoas deste planeta azul.
Robert Emmons, professor da Universidade de Oxford, define gratidão como uma sensação percebida de maravilhamento, agradecimento e valorização da vida. Ele realizou um estudo onde persuadiu estudantes e adultos com doenças crônicas à contarem cinco motivos pelos quais se sentiam agradecidos durante dez  semanas seguidas. Constatou uma tendência dos pesquisados à se sentirem mais satisfeitos e otimistas, o que melhorou significativamente sua condição física. Ficou provado, então, que expressões de gratidão têm relação causal com as recompensas de saúde mental e física.
Sonja Lyubomirsky, pesquisadora da University of California, realizou diversas estudos científicos para entender o que faz o ser humano mais feliz. Concluiu que expressar a gratidão é uma metaestratégia para alcançar a felicidade. Sua questão central se resumia no seguinte: “como as pessoas podem se tornar mais felizes ao longo do tempo?”. O objetivo de sua pesquisa era determinar a extensão da influência em tempo real da gratidão sobre o afeto e a saúde positiva. Ou seja, se a pessoa se sente mais feliz no dia em que está tentando ser mais agradecida. Orientaram, então, participantes à manterem uma espécie de “diário de gratidão”. Anotavam sempre: “Esta semana fiquei agradecido por _________, _________, __________”. Eles se dedicaram a esse exercício por seis semanas. Os que conseguiram contar suas bênçãos de maneira regular,  tornaram-se visivelmente mais felizes.
Depois desta pesquisa, Lyubomirsky, destacou oito razões pelas quais vale a pena demonstrar gratidão:
1)    Pensar de maneira agradecida incentiva a saborear as experiências positivas. Apreciando e tendo prazer em algumas dádivas de sua vida, você poderá atrair o máximo de satisfação e divertimentos possíveis das circunstâncias atuais.
2)    Expressar gratidão favorece o automerecimento e a autoestima. Quando se compreende o quanto as pessoas fizeram por você ou o quanto realizou, se sente mais confiante e eficaz.
3)    A gratidão auxilia a lidar com os traumas e reinterpretar as experiências estressantes ou negativas. É menos provável que lembranças traumáticas venham à tona. Auxilia a resiliência.
4)    Encoraja o comportamento moral. É provável que pessoas mais agradecidas ajudem mais as outras e sejam menos materialistas.
5)    Ajuda a estabelecer laços sociais, fortalece relações existentes e alimenta as novas. Um diário de agradecimento pode produzir sentimentos de maior vínculo com os outros.
6)    Expressar gratidão inibe comparações com os outros. Se você é agradecido pelo que tem (família, saúde, casa, por exemplo) é menos provável que preste atenção ou inveje o que seu vizinho tem.
7)    A prática da gratidão é incompatível com emoções negativas e pode, ao contrário, diminuir ou tolher sentimentos de raiva, amargura e cobiça. É difícil sentir culpa, ressentimento ou ira, quando se está agradecido.
8)    A gratidão nos ajuda a manter por mais tempo a satisfação pelo que conquistamos ou realizamos. Muitas vezes esquecemos rapidamente nossas grandes e pequenas conquistas.
Então, você está esperando o quê? Vamos lá, expresse a sua gratidão de forma atenciosa e intencional. Isso vai fortalecer também os seus relacionamentos.
Lembra daquela pessoa que eu pedi que você imaginasse no início do nosso conversa? Escreva uma carta de gratidão para ela e entregue-a pessoalmente. Se não for possível entregar, guarde-a, mas escreva assim mesmo.
Esta carta deve ser concreta,  objetiva e possuir cerca de 300 palavras. Seja específico sobre o que esta pessoa fez por você e diga como isto mudou a sua vida. Informe-a sobre o que você está fazendo agora e mencione que se lembra frequentemente do que ela fez. Capriche na carta! Surpreenda seus pares! Seja feliz!
Sou grata por você existir e estar lendo este texto agora! Até mais......  




Adriana Santiago
CRP 05-20345
Psicóloga Positiva
Tel: 2609-4075/98662-2565


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Você controla suas emoções ou é (des) controlado por elas?





Existe uma glandulazinha dentro da cabeça da gente que tem me aguçado a curiosidade ultimamente. Ela se chama amígdala e é a senhora absoluta de algumas das nossas emoções. Imagino que você esteja pensando agora: “Mas as amígdalas não ficam na garganta?”. Não esta, amigos! A amígdala a qual me refiro está localizada no centro cerebral e faz parte de algo que chamamos de sistema límbico. Este sistema desempenha um papel importantíssimo na nossa vida, pois regula emoções como o medo, a raiva, a fome e a atração sexual.
Mas, o que são emoções? De que maneira elas se fazem representar? Em um primeiro momento, as emoções se apresentam como alterações fisiológicas: o coração acelera, em determinadas partes do corpo o suor se intensifica, acontece uma inquietação motora. No momento seguinte, estas sensações começam a se expressar na nossa mímica corporal, e o nosso corpo se “comporta” inconscientemente de maneira universal. Ou seja, esta mímica corporal que corresponde à primeira sensação é igual em todos os humanos em qualquer lugar do planeta terra. Japoneses, brasileiros, franceses e americanos, por exemplo,  têm os mesmos gestos físicos correspondentes para emoções básicas. Num terceiro momento temos a vivência subjetiva que significa, a grosso modo, perceber como é estar em um determinado estado emocional. O quarto passo é a ativação dos pensamentos que são ligados à esta emoção.
Vou explicar melhor: na primeira fase, que chamamos de pré-emoção, os  sentimentos não são muito claros, nem voltados para um objeto. O que há aqui é uma excitação fisiológica. A situação pode parecer positiva ou negativa, sem que tenha sido analisada em detalhes. A pessoa simplesmente sente bem-estar ou desconforto.
A segunda fase é um processo rápido de estímulos visuais que despertam medo, felicidade, tristeza, raiva e se expressam inconscientemente em todo o nosso organismo. Por exemplo, ao avistarmos um homem em uma rua escura e deserta à noite, mesmo sem sabermos se é um inofensivo transeunte ou um possível agressor, já reagimos à ele. O estímulo memorizado como perigoso desencadeia uma reação ancestral de medo.
Logo depois deste momento, passamos para as emoções cognitivas primárias,  que é um processo mais lento, consciente e se dá no córtex visual. Esta fase permite que façamos uma representação mais exata do objeto visto. Usando o exemplo acima: é neste instante que constatamos se o rapaz em questão oferece ou não uma ameaça real. Os sentimentos aqui não são os mais básicos, mas derivam deles e manifestam-se como contentamento, satisfação, ameaça, ansiedade, irritação, frustração, decepção ou prostração.
A quarta e última fase deste processo emocional é o que chamamos de emoções cognitivas secundárias. Aqui os pensamentos têm um peso cada vez maior. Entra em cena toda uma teoria sobre as relações sociais. Uma manifestação de medo como emoção cognitiva secundária, por exemplo, seria imaginar ser morto pelo homem que transita na rua deserta e vai ao seu encontro.  É aqui que “moram” as expectativas sobre o futuro e as normas sociais. Lugar da vergonha, do ciúme e do orgulho.
Nossas emoções, portanto, cumprem funções fundamentais se soubermos usá-las à nosso favor. Primeiramente, nos permitem avaliar os estímulos do ambiente. Nós sentimos aquilo que “pensamos” sobre uma ou outra situação  de maneira extremamente rápida. Depois, nos preparam e nos motivam para a ações: quando sentimos medo, por exemplo, nosso pulso acelera, nossa pupila se dilata  e  os músculos ficam retesados, nos preparando para batermos em retirada. A terceira função das nossas emoções é indicar ao outro nossas próprias intenções através da mímica corporal. O sorriso nos lábios indica para o outro uma postura amigável. E por último, as emoções nos ajudam a controlar nossas relações sociais. Emoções complexas como amor, inveja e ciúme impõem regras e limites no contato com os outros. Funcionam como uma espécie de “filtro” para lidarmos com estímulos internos e externos. Quanto mais percebemos nossos limites e os dos outros, mas fácil fica manter o equilíbrio e nos preservar.
Observamos aqui o quanto é importante “filtrar” as nossas emoções. Elas partem do âmago do cérebro, e não do coração como imaginávamos há algum tempo, e podem ser despejadas no universo doa a quem doer, ou podem passar por um processo de lapidação e ordenamento, dando voltas pelo córtex e se expressando suavemente para nossos pares.
Amígdala inflamada têm as pessoas que não conseguem controlar as emoções. Elas são vítimas das suas próprias entranhas e intrigas e simplesmente não conseguem perceber isto. Uma boa terapia serve para deixá-lo no controle de suas emoções e, por conseguinte, para fazer com que defina o que você é e o que quer! Por agora, adianto algumas dicas de atitudes internas que podem ajudá-lo a manter situações tensas sobre controle, evitando desgastes desnecessários.

1)    Em meio ao caos, para e pense: esse episódio tem mesmo toda essa importância que estou dando?
2)    Considere que mesmo a pessoa mais teimosa, raramente tem uma questão pessoal com você. Este pode ser um problema somente dela.
3)    Fale consigo mesmo e tranquilize-se dizendo: “Fique calmo....!”
4)    Utilize técnicas de relaxamento para normalizar a sua respiração.
5)    Tome situações difíceis como desafios e não como problemas.
6)    Conceda-se uma pausa depois de uma conversa desagradável.
7)    Evite expor-se demais; mostre sentimentos somente em ambientes protegidos, com pessoas de confiança.
8)    Ria de si mesmo; o bom humor ajuda a dissipar tensões.
9)    Lembre-se, ninguém é excelente o tempo todo; aceite erros, os seus e os dos outros.
10)  Aproveite o dia de hoje, não se prenda ao passado nem crie expectativas enormes para o futuro.

Enfim, seja feliz e assuma o timão do seu navio. A vida é sua e a realidade depende muito mais de você do que do outro, da vida, de Deus ou do acaso.


Beijos e até breve
Adriana Santiago
CRP: 05-20345