quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Impacto do Perdão na cura da Depressão


 
Em 2004 a Organização Mundial da Saúde considerou a depressão a doença mais onerosa do mundo. (Global Burden of Disease; 2004) E estimou que de todas as mazelas, a depressão unipolar leva ao maior número de anos perdidos por incapacidade. Está no topo da lista tanto para homens como para mulheres, tanto para países ricos, como para países pobres. Em média um tratamento de um caso custa aproximadamente 5 mil dólares por ano nos EUA e há cerca de 10 milhões de casos todos os anos.

No Brasil e por todo o planeta Terra os números não são muito diferentes. Milhões de pessoas no planeta azulzinho sofrem com a depressão.

Foi por isto que Martin Seligman junto ao seu parceiro de jornada Tayab Rashid (2011), implantaram o serviço de psicoterapia positiva para pacientes deprimidos no SPA da Universidade da Pensilvânia. Os resultados foram surpreendentes. A psicoterapia positiva aliviou os sintomas depressivos em todas as avaliações de resultados, melhor que o tratamento de praxe e melhor, inclusive, que os medicamentos. Eles constaram que 55% dos pacientes tratados com psicoterapia positiva, 20% tratados com tratamento tradicional e 8% tratados com o uso de medicação, alcançaram a remissão dos sintomas.  Ou seja, a psicoterapia positiva foi muito mais eficaz do que os tratamentos convencionais. Martin Seligman (2011)  reconhece no seu livro Florescer   que apesar de ter trabalhado mais de 40 anos com psicologia, nunca presenciou resultados como estes.

A psicoterapia positiva proposta por Seligman e Rashid (2011) compõe-se, como outras psicoterapias, de um conjunto de técnicas que funcionam melhor quando associadas aos princípios terapêuticos básicos, como acolhimento, empatia, confiança, sinceridade e relacionamento profissional.

Num primeiro momento eles sugerem  que se faça uma avaliação das pontuações dos sintomas depressivos e de bem-estar do cliente. O segundo passo é discutir os sintomas depressivos e mostrar que são potencialmente explicados pela falta de bem-estar, ausência de emoção positiva, engajamento e sentido na vida. A seguir mostraremos o modelo estruturado de PPT produzidos por eles (SELIGMAN, 2011).
 
Resumo das 14 sessões:
Primeira Sessão: O cliente escreve uma “Introdução Positiva” de uma página (mais ou menos trezentas palavras), na qual conta uma história concreta mostrando a si mesmo em sua melhor forma e e ilustrando como usa suas mais altas forças de caráter.
Segunda Sessão: O cliente identifica suas forças de caráter a partir da introdução positiva e discute situações nas quais essas forças o ajudaram no passado. É aconselhável que se peça para fazer o teste VIA on-line para confirmação de tais forças.
Terceira Sessão: Identificamos situações específicas onde as forças de caráter identificadas possam facilitar o cultivo do prazer, o engajamento e o sentido. A lição de casa aqui consiste em fazer com que o cliente faça um “diário de bênçãos”, no qual descreve, todas as noites, três coisas boas que aconteceram naquele dia.
Quarta Sessão: Discutimos o papel das boas e más lembranças na manutenção da depressão. O apego à raiva e à amargura mantém a depressão e mina o bem-estar. Aqui a lição de casa é escrever sobre sentimentos de raiva e amargura e sobre como eles alimentam a depressão.
Quinta Sessão: Pedimos ao cliente que escreva uma carta de perdão transcrevendo uma transgressão e as emoções relacionadas a ela, se comprometendo à perdoar o transgressor, mas não entrega a carta. O perdão aqui funciona comum uma ferramenta poderosa que pode transformar  sentimentos de raiva e amargura em neutralidade e até, em alguns casos,  em emoção positiva.
Sexta Sessão: O cliente é levado à escrever uma carta de agradecimento a alguém a quem nunca tenha agradecido apropriadamente e é estimulado a entregá-la pessoalmente.
Sétima Sessão: Reiteramos a importância de cultivar emoções positivas, pelos registros do diários de bênçãos  e do uso das forças de caráter.
Oitava Sessão: O cliente é encorajado à aumentar o seu nível de satisfação e, para que isto aconteça, é levado à traçar um plano de ação pessoal para a realização.
Nona Sessão: Discutimos otimismo e a esperança usando um estilo explanatório. Como lição de casa, sugerimos ao nosso cliente que pense em três portas que se fecharam para ele. Depois pedimos que eles pensem nas inúmeras que podem se abrir.
Décima Sessão: O cliente é levado a reconhecer as forças de caráter de pessoas que são importantes para ele. A orientação aqui é que ele reaja ativa e construtivamente à eventos positivos que relatados por outras pessoas.  Aqui ele acerta uma data para comemorar as forças de caráter de seus parceiros.
Décima Primeira Sessão: Mostramos como pode reconhecer as forças de caráter de seus pares e sugerimos que seus familiares façam o VIA na internet e em seguida produza uma “árvore” onde inclua todas as forças de caráter da família.
Décima Segunda Sessão: Introduzimos a apreciação como técnica para aumentar a intensidade e a duração da emoção positiva. Lição de casa: o cliente planeja atividades agradáveis e as pratica conforme o planejado. O cliente recebe uma lista de técnicas de apreciação.
Décima Terceira Sessão: Aqui o cliente deve usar parte do seu tempo para exercer a força de caráter identificada na psicoterapia.
Décima Quarta Sessão: Discutimos a vida plena, que integra o prazer, o engajamento e o sentido.

 

Podemos perceber aqui, o quão é importante o fato de perdoar, pois sem esta ferramenta poderosa, o cliente não conseguirá proceder nos outros passos.

Seligman (2011) ressalta que as descobertas feitas  são um avanço, não conclusivos, mas suficientemente intrigantes pois é muito pouco custoso e funciona para a depressão de modo bastante confiável.
Até mais!!!!!!


Adriana Santiago


CRP: 05-20345

Neuropsicóloga Positiva, Coach pessoal e empresarial, escritora, palestrante, autora do blog Papo Cabeça com Adriana Santiago.

 

domingo, 21 de setembro de 2014

O Perdão Para a Sexualidade


           O cristianismo inaugurou a culpa na civilização, pois trouxe como principal novidade a ligação entre carne e pecado. E foi Paulo “O apóstolo dos Gentios” (9-64) quem levou a moral cristã para o cerne da cena cultural. Considerado, depois de Jesus, a figura mais importante desta “nova” religião, fez do cristianismo uma doutrina acessível e mudou o curso da história, criando  argumentos profundos e convincentes à respeito do significado do Cristo.
           Paulo, de família abastada, oriundo de uma educação clássica, tinha como nome verdadeiro Saulo, pois provinha de uma família judia da diáspora. Era um cidadão Romano que começou sua jornada perseguindo cristãos, mas converteu-se após uma visão do Cristo ressuscitado. Segundo Regina Navarro em seu Livro do Amor (2012) ele deturpou os ensinamentos de Jesus e transformou o cristianismo numa religião universal. Foi ele quem emancipou o judaísmo do cristianismo, criando um irreversível corte no entendimento da supremacia divina. Os judeus ortodoxos se ofenderam quando ele pregou que Jesus era o próprio Deus.
            Apesar de não ter conhecido Jesus Cristo,  Paulo pregava em seu nome repetindo o que Ele havia dito e acrescentando o que achava correto. Também escrevia cartas que mais tarde foram consideradas sagradas. No centro do seu discurso estava o antissexualismo, que se tornou um refrão obsessivo no decorrer dos tempos. A partir de Paulo, a condenação à sexualidade só fez crescer. São Paulo e vários outros cristãos deixaram as mais duradouras impressões em todas as ideias cristas sobre a repulsa ao sexo.  (Navarro, 2012).
         Em suas pregações, Paulo insistia na oposição entre carne e espírito e salientava que a carne era a fonte principal de todo o pecado. Dizia que os homens deveriam permanecer celibatários, as viúvas castas e as solteiras virgens. Não aceitava também o casamento, senão como um mal menor que também devia ser evitado. Ele dizia, por exemplo, que o era um pecado no caminho da salvação, mas que era melhor casar-se do que arder em desejo.  Era considerado mau tudo que fosse relacionado a carne. E o argumento era o de que a mulher (como um todo) e o homem (da cintura para baixo), eram criações do demônio.  
        O ato sexual tornou-se repulsivo, degradante, indecoroso e todo o prazer deveria ser evitado a qualquer custo. O horror à danação eterna, com todos os tormentos do inferno, era constante nas pregações dos novos cristãos. Para os pais da Igreja, o sexo era abominável: “uma experiência da serpente”, “um sistema de vida repugnante e poluído”.
          Para que não houvesse atração entre os cristãos puros, a falta de higiene se tornou pré- requisito para a salvação. São Jerônimo, por exemplo, afirmou que uma virgem adulta jamais deveria banhar-se. Na verdade, deveria envergonhar-se de ver sua própria nudez. O eremita Santo Abraão viveu cinquenta anos sem jamais lavar os pés e rosto. Santa Eufásia entrou para um convento com cento e trinta freiras que nunca lavaram os pés e estremeciam à ideia de banho. Os piolhos eram chamados de “pérolas de Deus” e estar sempre coberto por eles era a marca da santidade. (Navarro, 2012). E assim, a sujeira tornou-se virtude e qualquer coisa que tornasse o corpo mais atraente era considerado um incentivo ao pecado.  
       O repúdio e a atenção à sexualidade eram imensos. Até mesmo os mortos eram considerados sexuados e por isto, um édito da Igreja, ordenou que corpos femininos e masculinos não deveriam ser enterrados lado a lado. A aproximação só era possível quando os corpos estavam quase totalmente decompostos.
    No fim do século III era muito comum que homens e mulheres fugissem para o deserto em busca da pureza sexual. Eles se afastavam de comunidades civilizadas, a fim de viver uma vida monástica e ascética. Ocupavam  grutas e cabanas. Mas os mais devotos preferiam os poços secos, covis de feras abandonados, ou até mesmo túmulos. Não se lavavam e exalavam um cheiro fétido. Na luta pela castidade, o cristão deveria se privar do sono, do conforto e da alimentação. Temendo à danação eterna, eles se autoflagelavam, torturavam e  se mortificavam com o propósito de expiar culpas ligadas ao desejo sexual.
         Navarro (2012) nos conta que um monge, sabendo da morte de uma mulher que conhecera, esfregou seu manto no corpo em decomposição, para combater, com terrível odor que exalava, a imagem atraente que lhe causava desejo. A volúpia  era tanto que os celibatários ejaculavam involuntariamente, o que causava grande horror e frustração. Como consequência, aumentavam o grau de sacrifício do seu próprio corpo para compensar o pecado da luxúria. O contrário disso, a supressão da emissão de esperma, era vista como a verdadeira graça dos que atingiam a castidade.
          Desta maneira o cristianismo veio para criticar os luxos e castigar os prazeres comuns na Grécia Antiga e em Roma. E até hoje carregamos esta culpa pela sexualidade em sua pura essência. Conscientemente ou não, homens e mulheres possuidores de desejos sexuais normais, tornam-se obcecados pela culpa. Muita gente renuncia à sexualidade e isto gera muitos conflitos. Acreditam que a imagem do corpo nu, experimentando prazeres sexuais são obscenas e nocivas. Existe um medo absurdo de não conseguirem entrar no Reino dos Céus se derem vazão aos seus desejos.
          Atualmente a  OMS (Organizaçao Mundial da Saúde) preconiza que a atividade sexual é índice que mede a qualidade de vida das pessoas, mas mesmo assim, muita gente  ainda sofre por conta de seus desejos sexuais, suas frustrações, seus temores, suas vergonhas e suas culpas.
         Um estudo americano provou que fazer sexo duas vezes por semana, no mínimo, ajuda a diminuir a incidência de diabetes e a pressão arterial. O American Journal of Cadiology garante que exercer a sexualidade ajuda a proteger o coração. A Universidade de Nova York diz que o sexo melhora o sistema imunológico, suprime a dor e reduz a enxaqueca. Carmita Abdo, médica do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo afirma que “Pessoas que tem relações sexuais com regularidade conseguem equilibrar seus hormônios e estimular suas potencialidades, além de aumentar a autoestima e o animo para trabalhar e enfrentar os problemas cotidianos”. Na Inglaterra, Alemanha e França, pesquisadores provaram que “pessoas que praticam sexo com frequência vivem mais e correm menos risco de desenvolver câncer”.
             O que isto tudo quer dizer? Que a culpa que pesa sobre as questões sexuais está muito mais ligada à aspectos religiosos, do que propriamente à questões internas do indivíduo. A moral cristã abomina a sexualidade e traz para o sujeito o peso de uma negação que culmina em doenças psíquicas e físicas, comumente irreversíveis. Muitas vezes o sexo é visto como algo perigoso, imoral, mas podemos perceber através de vários aspectos que  é bom e faz bem para o corpo e para a alma.

 

 
Muito Obrigada

Adriana Santiago

CRP: 05-20345

Neuropsicóloga Positiva, Coach pessoal e empresarial, escritora, palestrante, autora do blog Papo Cabeça com Adriana Santiago.