quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cuidado, o psicopata pode estar ao seu lado!


Cuidado, o psicopata pode estar ao seu lado!

          V
ocê conhece alguém extremamente articulado, que fala muito sobre si e está sempre tentando conquistar pessoas consideradas importantes? Um bajulador nato que conta histórias mirabolantes e mente tão bem que pode enganar o mais experiente habitante do planeta? Um cara que se acha o indivíduo mais importante do Universo, que tem o ego inflado, adora ter o poder sobre tudo e todos e desconsidera qualquer opinião diferente? Uma pessoa que reage desproporcionalmente a insulto, frustração ou ameaça? Alguém cujas regras sociais não fazem o menor sentido e não tem ligações afetivas com seus pares? Que não tem empatia e por onde passa deixa bolsos vazios e ou corações partidos? Um sujeito que, depois de ter causado horrores na vida das pessoas, sai por aí como se nada tivesse acontecido?  Cuidado, esta pessoa pode atingi-lo de maneira contundente e sem remorsos.
Os sinais  da psicopatia são observados desde a mais tenra infância. Criança que viola as regras impostas em sua idade, ou que não respeita os direitos alheios corre sérios riscos de se tornar um psicopata. Mentir, brigar com freqüência, furtar e desrespeitar, maltratar animais são comportamentos extremamente preocupantes se repetidos rotineiramente. O chamado transtorno de conduta é sinal de alerta, mas não quer dizer, necessariamente, que levará à psicopatia. A personalidade aqui ainda não está formada e não podemos fazer diagnósticos antes dos 18 anos de idade. No entanto, faz-se necessário, ficar muito atento, pois é certo que nem toda criança com transtorno de conduta se tornará um psicopata, mas todo psicopata foi uma criança com transtorno de conduta.
Em 1968, Mary Bell, uma menina inglesa de apenas onze anos de idade, matou por estrangulamento dois meninos entre três e quatro anos, sem dó nem piedade. Antes deste evento absolutamente cruel, quando tinha apenas dois anos de vida, seu comportamento era totalmente diferente das outras crianças: não chorava quando se machucava e adorava surrar seus brinquedos. Aos quatro anos tentou enforcar uma coleguinha e aos cinco presenciou a morte de outro amiguinho por atropelamento sem esboçar nenhum espanto. Depois da alfabetização ficou incontrolável: pichava paredes da escola, incendiou a casa onde morava, maltratava os animais. Filha de uma prostituta viciada em drogas e com distúrbios psiquiátricos, foi abandonada e entregue para a adoção várias vezes, sem sucesso. Antes disto, sofria da mãe biológica abusos sexuais e era obrigada também a usar drogas.
Uma questão aqui a ser levantada: será que estas crianças já nascem psicopatas, ou o ambiente é determinante para o desenvolvimento do transtorno? O que há de certo no meio científico é que um bebê pode não nascer psicopata, mas pode vir ao mundo com tendência e predisposição genética ao distúrbio, o que é boa parte do caminho andado. Mas, como genética não é “determinética”, o ambiente contribui muito para a expressão ou não do gene.
Mas, nem sempre o psicopata é um assassino cruel e impiedoso como retratado no caso da Mary Bell ou nas séries de TV e  filmes de serial killer do cinema americano. A maioria dos psicopatas não mata. Pode ser uma pessoa comum, que convive com você e lhe consome aos poucos, massacrando sua subjetividade e te despotencializando diariamente. O psicopata conquista sua confiança até que caia a  máscara de normalidade e fique claro a  falta de internalização de padrões morais. Ele é indiferente ao bem-estar alheio e sempre que se aproxima, tem a intenção de se dar bem. Considera  as pessoas como fonte de favores ou objetos através dos quais pode atingir suas metas e quando assume compromissos é só para conseguir o que quer, mas não cumpre o combinado.
            Geralmente tem uma inteligência acima da média e sabe muito bem a diferença entre o certo e o errado. O problema é que não absorve este padrão de comportamento moral. Um exemplo claro do pensamento de um psicopata  quando quer  estuprar uma mulher é: “Putz, ela pode engravidar e isto pode causar problemas para mim”. Em seguida, concluirá: “Melhor assistir ao jogo de futebol”. No entanto, se achar que a consequência vale o prazer, vai estuprá-la, sem culpa.  Ele é o centro do universo! Além dele, nada importa!

                Sua estrutura mental também é diferente dos seres humanos considerados “normais”.  O cérebro de um psicopata tem menor atividade nas estruturas ligadas às emoções e maior nas ligadas à razão. E isto revela a sua falta de empatia. Ele tem enorme dificuldade de se colocar no lugar do outro.
                 Segundo a Associação Americana de Psiquiatria (APA, sigla em inglês) 3% dos homens e 1% das mulheres possuem algum grau do chamado transtorno da personalidade antissocial ou psicopatia (ou sociopatia). Apesar dos dois conceitos serem usados como sinônimos, há uma diferença em seu diagnóstico: o primeiro é identificado como comportamento antissocial, enquanto o segundo diz respeito tanto ao comportamento quanto a um conjunto de traços de personalidade. Na verdade, o que fica claro aqui é a diferença no grau da maldade que um ou outro pode lhe causar.
                Muitas vezes é o marido cruel que ofende e maltrata a esposa, o chefe que humilha e pisa em seus funcionários, o pai que xinga seus filhos, o amigo que usa a confiança conquistada para pegar um empréstimo em seu nome, ou mesmo a amiga do peito que entra em sua casa para destruir o seu lar. Pode também ser o político boa praça que você votou nas últimas eleições, o pastor da igreja mais próxima, o padre da sua paróquia, o pai de santo do seu centro espírita. O psicopata não traz marcado em seu rosto, sinais do que pode ser capaz de fazer. A princípio, se apresenta como a pessoa mais agradável e doce que você pode vir a conhecer, mas aos poucos vai mostrando suas garras, até que você não tenha mais força e sucumba às suas maldades.

           Portanto, queridos, fiquem atentos, o psicopata pode estar ao seu lado.

            A seguir, algumas dicas para livrá-los deste mal:
AMIGO PSICOPATA:
MENTE MUITO: é um especialista neste assunto. É pior que  político em campanha. Se você observar que 90% do que diz não confere com a realidade, mantenha-se alerta.
OBSERVE A SUA VOLTA: se seus velhos amigos suspeitarem do sujeito em questão, fique atento. Você pode estar seduzido e não conseguir detectar os sinais claros que o psicopata emite.
NÃO FALE SOBRE SUA VIDA FINANCEIRA:  Ele tem alto poder de persuasão e pode fazer você entregar todas as suas economias ou mesmo fazer com que você pegue um empréstimo no banco.
NUNCA FAÇA NEGÓCIOS COM ELE:  Expressões como “uma mão lava a outra”, “te devo uma”, “só pediria uma coisa dessas a você”  são usadas antes das propostas indecorosas que ele está prestes a fazer. Não tope em nenhuma hipótese! Se fizerem uma bobagem juntos, ele, com certeza, o entregará.
OBSERVE SE ELE NÃO RESPEITA REGRAS SOCIAIS: O psicopata desconsidera leis e sempre dá um jeitinho para transgredi-las. Perceba se ele gosta de furar filas, passar cheques sem fundo, fazer compras que não pode arcar financeiramente, se não se comove com injúrias sofridas por outras pessoas.

AMOR PSICOPATA
É O PAR PERFEITO:  Geralmente, nos primeiros encontros, o psicopata se comporta como se fosse o homem ideal. Gosta até do filme francês que só você viu, adora comida japonesa e se encaixa perfeitamente no que lhe falta. Desconfie se não observar nenhum “defeito” nos primeiros encontros. Ele é o espelho do que completa a nossa fraqueza! Se apresenta impecavelmente, tanto na aparência, quanto na suposto sucesso profissional
É SEMPRE VÍTIMA: Psicopata legítimo adora se fazer de coitado. Se comete uma violência contra você, é porque a ama e sente muito ciúme. Se usa o seu dinheiro, é para mandar para a avó muito doente que mora no interior. Não tenha pena, pois a comoção é a porta aberta para que ele se instale e em qualquer menor sinal de violência, denuncie e saia de perto. Ele pode fazer coisa pior.
NÃO PENSE QUE PODE MUDÁ-LO: Fique atenta, até hoje não se sabe a cura para a psicopatia. Não há batalha espiritual que o faça melhorar. Nem mesmo a força do amor poderá restaurá-lo. O melhor sempre é se afastar.
OBSERVE SEU COMPORTAMENTO COM UM CACHORRO: É fato que os psicopatas treinam suas habilidades com os animais mais próximos. Mas, cuidado! Ele pode fingir amá-los também!
TENHA PRUDÊNCIA AO TERMINAR A RELAÇÃO: Psicopatas não reagem bem quando são dispensados. Se possível, troque o número de telefone, a fechadura da sua porta e avise aos amigos. Ele pode se tornar um grave problema para você.

O CHEFE PSICOPATA
O INSULTOR: Um psicopata adora esta posição, pois oficialmente se sente à vontade para insultar e qualquer desempenho abaixo da perfeição, se torna um prato cheio para que ele derrube o seu subordinado. Há um prazer sórdido em massacrar o outro subjetivamente.
ELE O RESPONSABILIZARÁ POR QUALQUER ERRO: Por isto é absolutamente necessário que você documente tudo. Se cerque de todas as provas, pois qualquer falha poderá ser usada para lhe comprometer na empresa.
NÃO BRIQUE COM ELE: Saia da rota de colisão e assim que possível distribua currículos. Brigar com um psicopata não é uma boa ideia.
DEIXE CLARO A SUA POSIÇÃO: Caso haja algum conflito com o chefe psicopata, se dirija ao RH e protocole uma queixa. É importante que outras pessoas saibam  para que a corda não arrebente para o lado mais fraco.

Boa sorte,
Até breve,

Adriana Santiago

CRP: 05-20345

Neuropsicóloga Positiva, Coach pessoal e empresarial, escritora, palestrante, autora do blog Papo Cabeça com Adriana Santiago.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A história de Roberto



Roberto, 46 anos, é um advogado muito bem sucedido, tem uma família estruturada, uma esposa “quase perfeita” e dois filhos pré-adolescentes que não dão muito trabalho. Procurou meu consultório, pois estava sendo invadido por um pensamento tenebroso: se imaginava matando toda a sua família num ataque de fúria.

Não havia nada, a princípio, que o motivasse a cometer um ato tão brutal: sua esposa, delicada e companheira, sequer o provocava com palavras rudes e seus filhos levavam uma vida dentro dos padrões normais para suas idades. A vida financeira era organizada e o trabalho o satisfazia completamente. Então, por que estas imagens e intenções o assolavam tão frequentemente? 

Ele vinha de uma infância absolutamente sofrida. Seus pais se odiavam, mas para cumprir as exigências sociais, religiosas  e por questões financeiras não se separaram e viviam em constantes e graves conflitos.  Seu pai era muito severo e rígido, não permitia que o menino chorasse nem expressasse qualquer tipo de emoção mais contundente e genuína. Roberto se controlava o tempo todo e se empenhava para cumprir as rígidas regras impostas por sua família. Fazia um esforço tremendo para ser bom em tudo que se comprometia a realizar e apesar de conseguir altos padrões de atuação, não ficava satisfeito com nada. A mãe, submissa ao pai, não tinha voz ativa, o acolhia quando ele se entristecia, mas não permitia também que fizesse escolhas. Nem pequenas, nem grandes. O menino Roberto não podia sequer decidir a roupa que iria usar, a forma que pentearia o seu cabelo, muito menos suas amizades.

Na adolescência namorou algumas meninas, mas seu interesse por elas se concentrava muito mais no aspecto intelectual do que propriamente nas questões corporais. Não havia nele uma virilidade natural de jovens começando a vida sexual. No entanto era notória a sua admiração pelos corpos de seus colegas de turma e da rua. Roberto fazia questão de jogar futebol, apesar de não ter muita habilidade com a bola, pois era neste momento que conseguia tocar os corpos dos garotos da sua idade. De fato, estas sensações precisavam ser reprimidas, pois ele não poderia admitir desejos tão proibidos. E assim, cresceu e conheceu a Carla, uma linda adolescente que poderia figurar muito bem ao seu lado e ajudá-lo a cumprir um papel exigido por sua família e pela sociedade.

No entanto, apesar de uma aparente felicidade e perfeição, o casal não tinha uma vida sexual satisfatória e ele controlava o intenso desejo que sentia pelos estagiários de seu escritório. De fato, nem ele mesmo podia admitir com clareza estes sentimentos e por isto necessitava de ajuda profissional. Não aceitava a homossexualidade e isto se expressava no desejo intenso de fazer desaparecer a sua família, o que lhe daria a franquia para expressar de fato seus anseios.

A homossexualidade masculina já foi muito valorizada entre os gregos e tolerada pelos romanos, mas foi vigorosamente condenada pelo advento do cristianismo. Na Grécia Antiga, era muito comum que os homens de bem desprezassem as mulheres, que consideravam inferiores e irracionais, e admirassem muito outros homens mais jovens. Eles podiam ter relações extraconjugais com concubinas, cortesãs e efebos, que eram meninos imberbes com quem faziam sexo. Quando estes meninos cresciam e se tornavam  cidadãos gregos, casavam, tinham filhos e buscavam seus próprios efebos. Isto quer dizer que a heterossexualidade não é natural, ela é imposta por questões culturais, o que causa de fato diversos transtornos atualmente em pessoas que não conseguem se expressar verdadeiramente.

É óbvio que a condução do tratamento incluía fazer com que Roberto entendesse que o melhor solução  era se separar da Carla e buscar a sua felicidade na expressão do seu verdadeiro eu. Melhor decepcionar a sociedade do que destruir vidas, inclusive a sua. Estamos trabalhando com afinco e Roberto já pensa em se mudar para uma casa menor, perto dos filhos, mas com a sua veracidade.


# atenção: todos os nomes citados acima são fictícios.

Escrevam para adrianasantiagopsi@gmail.com e contem a sua história.


Adriana Santiago

CRP: 05-20345

Psicologia Positiva
Tel: (021) 2609-4075  - 98662-2565