sábado, 10 de outubro de 2015

PÍLULAS CIENTÍFICAS

CAI O MITO DA VELHICE ATRELADA À INCAPACIDADE



Pessoas com idade avançada podem funcionar cognitivamente muito melhor do que as  mais jovens. Pesquisadores, desde a década de 90, vêm acenando para isto: os neurônios e suas sinapses podem funcionar muito bem em pessoas com 80 anos ou mais, já que o cérebro não é uma rede programada e inalterada de células. Existe plasticidade cerebral até a morte. Pesquisas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, concluíram  que é possível manter-se ativo e produtivo até o momento derradeiro. 




PARA SER FELIZ  É PRECISO MOVIMENTAR-SE





Pesquisa  com 9 mil mulheres entre 50 e 55 anos, realizada em conjunto nas Universidades de Victoria, no Canadá, e de Quesland, na Austrália, concluíram que quanto mais tempo ficamos sentados, mais propensos ficamos à depressão e outros problemas psicológicos. Por isto, queridos, levantem-se agora mesmo e sacolejem por aí. Cadeira, só de vez em quando. 





sexta-feira, 15 de maio de 2015

APRESENTANDO NOSSO CÉREBRO





Em 1990, o neurocientista Paul Maclean em seu livro “The Triune Brain in Evolution: Role in Palocerebral Functions”, apresentou-nos uma fascinante teoria sobre o nosso querido cérebro.  Apesar de discutível entre os acadêmicos, esta é uma visão bastante coerente das nossas funções mentais.
Segundo esta perspectiva, nosso cérebro é divido em três camadas. A primeira e mais primitiva é denominada cérebro reptiliano, a segunda é batizada de cérebro emocional, enquanto a última e mais nobre, neo-cortex.

O cérebro reptiliano ou basal é formado pela medula espinhal e porções basais do prosencéfalo. Esse primeiro nível de organização cerebral é capaz apenas de promover reflexos simples. Ele só transmite impulsos gerados nas várias camadas cerebrais. No caso do medo e da raiva, a mando do cérebro emocional, é ele quem libera os impulsos para que os hormônios invadam a corrente sanguínea, fazendo com que o coração acelere e a pressão suba. Os hormônios conduzidos pelo cérebro reptiliano fazem com que os músculos se preparem para a fuga ou luta diante de uma ameaça real ou percebida.

Esta primitiva porção cerebral é responsável por comportamentos já programados em nosso genoma. Estes comportamentos são automáticos, estão longe do ato de pensar: respiração, deglutição, batimentos cardíacos, fome, desejo sexual e reações de fuga ou luta “moram” neste lugar. O cérebro reptiliano só libera os impulsos, mas não os avalia. Segundo a perspectiva freudiana, este  lugar é chamado de Id.  

O reptiliano não tem dúvidas nem arrependimentos. Os impulsos liberados por ele, só querem satisfação. O que visa é a manutenção da espécie, fazendo com que o animal que mora em nós obedeça seus comandos. Se for preciso fugir ou lutar, o cérebro reptiliano otimiza seu batimento cardíaco e sua respiração, na intenção de um máximo desempenho físico. Ele também aprimora sua concentração para enfrentar a caçada diária e escapar do predador.

Pássaros, jacarés, sapos, cobras, lagartos e outros animais menos complexos só possuem esta camada cerebral. Só os mamíferos, “inferiores” e “superiores como nós”, possuem a nova casca evolutiva chamada de córtex ou cérebro emocional.

Esta segunda camada cerebral é abrigada pelo sistema límbico e foi formada para servir aos impulsos instintivos do cérebro reptiliano.  No sistema límbico estão as glandulazinhas poderosas que armazenam as emoções. As amígdalas cerebrais e o hipocampo estão lá. Enquanto as primeiras determinam quais lembranças serão armazenadas com base na relação emocional provocadas por uma experiência, o hipocampo, guarda por um curto período de tempo, tais informações. Num segundo momento, o hipocampo envia ou não tais informações para o neo- córtex. É nesta camada cerebral que as emoções de medo, raiva e desejo, ganham identidade e se desenvolvem para servir aos impulsos do cérebro reptiliano.

A terceira camada desenvolvida pela evolução das espécies é chamada de neocórtex. Esta é a nossa área nobre, região do intelecto, da tomada de decisão, do raciocínio superior. Enquanto o sistema límbico e o nosso cérebro reptiliano nos impulsionam a fazer aquilo que precisamos para a manutenção da espécie, o neocórtex representa a inteligência para alcançar este fim. Serve para dar limite e “filtrar” as nossas emoções e impulsos instintivos. É o centro da autoconsciência, do livre arbítrio e das nossas escolhas. É quem nos torna usuários plenos e potencialmente senhores de nossa vida.

Usando o modelo do cérebro trino, podemos dizer que diante de uma situação de ameaça, o sujeito, inicialmente movido pelo cérebro reptiliano, instintivo, quer sobreviver. Este é um impulso básico, instinto de vida. Por exemplo, você está estudando em seu quarto, quando ouve um barulho estrondoso no andar de baixo. Este barulho são ondas físicas que se transformam em ondas cerebrais. O seu estado é de atenção. Este estímulo parte para o tronco cerebral e para o tálamo. O tálamo transmite a informação, simultaneamente, para a amígdala e para o hipotálamo. O hipotálamo, então, manda informações para o córtex superior que faz uma análise mais detalhada, devolvendo –a para a amígdala.  A amígdala, a partir deste momento, funciona como o alarme de uma empresa, onde operadores estão a postos para chamar o corpo de bombeiros, polícia, vizinho, pois o sinal de segurança interno deu um sinal de perigo.  Se a “conversa” entre o sistema límbico e o neocortex estiver comprometida, a amídgdala domina a situação e dispara  “ordens” químicas para que o corpo todo seja inundado com hormônios que favoreçam a fuga e ou a luta.

Podemos observar, a partir deste modelo, que o funcionamento da amígdala e sua interação com o neocórtex estão no centro do que chamamos de inteligência emocional. Nos casos de transtornos de pânico e ansiedade, há uma espécie de “curto circuito” nesta relação e descargas químicas são disparadas no organismo várias vezes sem necessidade. A psicoterapia serve para colocarmos as coisas em seus devidos lugares e fazer com que o animal irracional que vive em  nós use a nossa área nobre do cérebro, responsável pelo raciocínio e viva de acordo com o que lhe faz bem. Domesticar o nosso animal interior é um dos primeiros passos para uma vida de sucesso.


Até mais.


Adriana Santiago.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sobre o “descontrole emocional” do Bernardo (Vasco): NÃO, A RESPONSABILIDADE NÃO É DA TORCIDA, É DELE!






O choro compulsivo do meia Bernardo, na última quarta-feira, quando o Vasco enfrentou o Rio Branco – AC, em São Januário, evidencia o total descontrole emocional de um jogador que tem um grande histórico de problemas comportamentais. Discordo de quem acha que a reação do Bernardo se justifica por achar que ele é vítima de um assédio moral por parte da torcida.

NÃO, A RESPONSABILIDADE NÃO É DA TORCIDA, É DELE! Agora tem se tornado muito comum colocarem na conta do “descontrole emocional” , atitudes tenebrosas. Pequenas e grandes atrocidades, atualmente, tem sido minimizadas, como se o protagonista desses erros não fosse ele mesmo o responsável pelo controle ou descontrole  de suas emoções. Há uma espécie de “desculpabilização” que pode ser perigosa, pois o sujeito da ação, voluntária ou involuntariamente, utiliza esta situação como álibi. O mais assustador é que isto tem acontecido em todas as esferas sociais: na política (José Genuíno alegou depressão para evitar a cadeia); na música (Ed Motta, justificou sua arrogância se dizendo debilitado emocionalmente); na justiça (o Juíz do caso Eike se disse com muitos problemas emocionais, após usufruir dos bens alheios); nas ruas (um motorista de ônibus briga com um passageiro, o ônibus cai do viaduto e faz várias vítimas, e a culpa é da emoção).

No futebol este habeas corpus para o erro é ainda maior porque envolve paixão de milhares de torcedores. É comum vermos jogadores envolvidos nas mais diversas polêmicas sendo absolvidos por dirigentes, treinadores e torcida. O mais preocupante é quando o psicólogo acha que isto é natural. As emoções fazem parte da natureza humana. São básicas e nos fizeram sobreviver como espécie. No entanto, adestrá-las através do raciocínio, que nos difere dos animais ditos “inferiores” é mister para convivermos em sociedade. Não podemos deixar soltos nossos “cavalos das paixões” em detrimento de uma boa relação com nossos pares. 

Quando o Bernardo se descontrola, chora desesperadamente, discute com a torcida, agride o adversário e diz que é por amor ao clube, é preciso repensar. Isto não é expressão de amor. Está muito mais para um transbordamento da raiva. Amor é sentimento elaborado, inclui dedicação. Para mostrar o amor que ele tem ao Vasco, seria muito mais importante que ele se dedicasse aos treinamentos, que focasse mais no desenvolvimento das suas habilidades, que valorizasse seu talento inato, que jogasse um pouco as baladas para escanteio e que priorizasse mais o seu condicionamento físico, o que, consequentemente, melhoraria seu desempenho. A imensa torcida bem feliz do Vasco agradeceria esta prova de amor.

Finalizando, gostaria de acrescentar que, apesar de não conhecê-lo pessoalmente, tenho informações de pessoas próximas ao jogador, que ele é uma pessoa do bem. Por isto, fico na torcida para que o seu melhor futebol sobressaia ao seu descontrole emocional.  Vai ser bom para o clube, uma festa para a torcida e um gol de placa em sua vida.

 

sábado, 31 de janeiro de 2015

10 DICAS , comprovadas cientificamente, que podem acabar com a depressão.


10 DICAS , comprovadas cientificamente, que podem acabar com a depressão.

1)    Dê contorno a sua dor: escreva sobre o que você sente e busque o porquê de sua tristeza. A palavra escrita, materializa o pensamento e, por isto, delineia o foco do problema. Acredite, isto funciona muito.
2)    Caso você tenha algo que volta sempre como emoção negativa, busque em seus pensamentos, o que causou a dor profunda. Entenda que você não pode voltar no tempo e fazer diferente. Também não é possível cobrar do outro o que ele não tem para dar.
3)    Perdoar é o terceiro passo. Se há algo ou alguém que você não consegue perdoar, comece agora a tentar entender as razões de quem o ofendeu. Talvez, a pessoa em questão, nem saiba que te atingiu tanto. Pense da seguinte forma: “Estou travando a minha vida, quando já poderia ter usado esta energia presa para a minha evolução pessoal”.
4)    Sempre se pergunte “para quê”. Isto é fundamental. Enquanto o “para quê” te empurra pra frente, o “por que” te joga para trás.
5)    Todos os dias, a começar por hoje, se esforce para encontrar, no mínimo, três coisas boas que aconteceram no seu dia. Não precisam ser grandiosas. Pequenos acontecimentos, como: “tenho uma filha linda e com saúde” ou “ao acordar amanhã, tenho certeza que terei as três refeições principais”, bastam para amenizar a tristeza.
6)    Pense em alguém que lhe fez um bem e você não agradeceu devidamente. Escreva-lhe uma carta e, se for possível, entregue-a pessoalmente. Você não tem noção do quanto isto lhe causará fortes emoções positivas.
7)    Viva hoje como se fosse morrer amanhã. Faça uma lista de coisas que você gostaria de fazer e ainda não fez. Comece pelas possíveis e vá até as, teoricamente, impossíveis. Planeje, estabeleça prazos e faça. Você irá se sentir animado e com esperança de dias melhores.
8)    Se esforce! Sei que com a paralisia da vontade trazida pela depressão, fica tudo muito difícil. Mas isto será fundamental para que você saia deste mar de melancolia.
9)    Olhe para o lado! Tire o foco da sua dor e procure alguém que precisa da sua ajuda. Auxiliar o próximo é excelente remédio para minimizar a dor.
10)           Procure um profissional qualificado para te ajudar a se manter firme no seu propósito. Estar bem amparado é fundamental para o seu restabelecimento.


E, se precisar, entre em contato pelos telefones (021) 98662-2565, 2609-4075, ou pelo email: adrianasantiagopsi@gmail.com.


Espero ter ajudado.

Até mais,

Adriana Santiago

CRP: 05-20345

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

DEPRESSÃO - PSICOTERAPIA X MEDICAMENTOS




Tristeza profunda, paralisia da vontade, sensação de que nada vale à pena, desesperança, desamparo, dores pelo corpo sem motivos aparentes, humor irritável, estes são alguns sintomas que os pacientes deprimidos apresentam quando procuram ajuda em nossos consultórios. Geralmente, não sabem exatamente o porquê da falta de prazer nas atividades cotidianas e o motivo da dificuldade em focar a atenção. Seus pensamentos são depreciativos e pessimistas, o cansaço físico é imenso e a oscilação entre lentidão e agitação mental é bastante comum.  A melancolia não é localizada, não tem cara nem limites, ela invade as entranhas dos sujeitos e os contamina com uma cor cinza. E é desta forma que eles vêem o mundo: monocromático.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), em 2030 a depressão afetará mais pessoas do que o câncer e problemas cardiovasculares.  É uma doença letal, pois os indivíduos deprimidos entregam-se, não lutam, e muitas vezes desistem de existir, causando a própria morte e provocando, com isto, dores intensas em seus familiares e amigos. Portanto, além de fatal, é contagiosa.
Agora, quais são as causas desta doença grave que assola a humanidade? Por que algumas pessoas reagem de forma positiva a alguns acontecimentos traumáticos, enquanto outras são assoladas por uma sensação de impotência e desespero?  Por que muitos indivíduos, diante de uma adversidade qualquer, renascem das cinzas, como Fênix e se reinventam, e outros, arrastam a corrente da amargura pela vida e nunca mais conseguem sair do lamaçal afetivo para o qual foram atraídos. As experiências infantis, as marcas indeléveis que trazemos da nossa vida infantil contam muito para moldar o jeito que reagimos às pequenas e grandes tragédias cotidianas. Esta construção de subjetividade, feita através da relação parental e do temperamento do indivíduo é fundamental para determinar se processos depressivos se instalarão ou não. Pessoas que tiveram vínculos seguros, liberdade de expressão, limites realistas, foram estimuladas em sua individualidade e autonomia na infância, reagem de forma mais positiva às adversidades normais da vida. No entanto, indivíduos cujas primeiras experiências foram nocivas, costumam reagir muito mal quando são confrontados com situações desfavoráveis.
A busca da cura da depressão através de medicamentos somente é inócua, pois como um analgésico para quem está com dor de dentes, os antidepressivos servem apenas para aliviar o sofrimento imediato, mas não curam a causa da enfermidade. Além do mais, causam efeitos colaterais que, muitas vezes, são piores que os sintomas da depressão. Dores de cabeça, pressão alta, problemas estomacais, insônia, constipação intestinal e ressecamento da mucosa, falta de apetite e perda da libido são alguns exemplos. Ora, como se curar de uma tristeza profunda se o remédio para isto causa “enfezamento” e falta de tesão? A cura para a depressão sem dúvida está na reconstrução da subjetividade e auto-estima do indivíduo. Nós, psicólogos, podemos contribuir muito para ajudar nesta reinvenção, na re-significação das dores da alma, que muitas vezes fazem sofrer também o corpo físico. O entorpecimento farmacológico pode nos ajudar no início, mas é fato que sozinho não conseguirá debelar as causa do que faz sofrer o sujeito.  

Até mais,
Adriana Santiago
CRP: 05-20345

domingo, 25 de janeiro de 2015

GENTILEZA GERA....EMOÇÕES POSITIVAS


 É isto mesmo, queridos leitores, ser gentil promove bem-estar subjetivo para quem pratica e para quem recebe tal atitude. Já perceberam o quanto seu dia fica mais brilhante quando recebe um elogio ou um agradecimento de alguém? Não precisa nem ser uma pessoa muito especial, até mesmo um desconhecido tem este poder quando dá passagem no trânsito, ou lhe oferece um lugar para sentar no ônibus, na hora do rush. Esta pequena ação pode mudar o seu dia.

A potência da gentileza é tão grande que não modifica somente o indivíduo. Ela atua de forma contagiosa se alastrando e atingindo os incautos por onde passa. E os sentimentos positivos trazidos pelos atos gentis ampliam nosso horizonte mental e nos permitem solucionar problemas com mais rapidez e eficiência. A psicóloga Alice Isen, da Universidade Cornell, em Nova York, provou esta tese num amplo estudo onde investigou a capacidade diagnóstica de médicos. Mostrou a dois diferentes grupos, exames do mesmo paciente com um problema grave de fígado. Para o primeiro grupo, ofereceu um pacote com doces, antes de visualizar os exames, para o outro, não ofereceu nada. O resultado provou que os médicos  agraciados com as guloseimas avaliaram o caso com mais rapidez e demonstraram menor tendência a se fixar em um único pensamento, revelando-se dispostos a descartar conclusões precipitadas. Isto prova o quanto o pensamento das pessoas que se sentem bem por um ato gentil é mais flexível, criativo e aberto.

Estudos também revelaram que quem é gentil vive mais, pois as emoções positivas trazidas por estas atitudes influenciam beneficamente o sistema cardiovascular. Os psicólogos David Snowdon, Wallace Friesen e Deborah Danner da Universidade de Kentucky, mostraram isto através de um amplo estudo sobre envelhecimento e doença de Alzheimer. Ao avaliarem relatos autobiográficos de cento e setenta e oito freiras, concluíram que as  alegres viveram até dez anos mais que as que pouco enxergavam o lado bom da vida.

A falta de cordialidade, ao contrário, diminui nosso tempo de existência na terra, pois gera emoções negativas. Pessoas raivosas e mal-humoradas têm a taxa de mortalidade cinco vezes maior do que pessoas gentis. Sentimentos de angústia, irritação e medo aumentam a freqüência cardíaca e a pressão arterial. O corpo todo do irritado se prepara para a luta diária com ele mesmo e com os seus pares. Você já imaginou conviver, por exemplo, com um chefe hostil? Isto é devastador: Enquanto ele te chama de imbecil e incompetente não percebe que fecha a sua cognição, pois por algum tempo você ficará pensando se é ou não o que ele diz. Esta reflexão demorará um tempo que pode ser um minuto, um dia, ou mesmo um mês e, enquanto isto, você ficará olhando para o seu próprio umbigo e não conseguirá, de fato, produzir muita coisa. O problema é quando você não reconhece que esta é uma deficiência dele, não sua, sai do trabalho acreditando no que ele diz e se deprime por se sentir um lixo. Haja rivotril para controlar a depressão causada por estas palavras depreciadoras. Muitas pessoas não resilientes adoecem de fato e precisam se afastar do trabalho por conta dos efeitos devastadores destas emoções negativas que também se alastram como ervas daninhas. Por isto, grandes empresas, atualmente, focam no bem-estar geral dos seus funcionários para que eles aumentem a produção. Elogios ou recompensas monetárias são maneiras ótimas  para melhorar o desempenho profissional.

Marcel Losada, pesquisador brasileiro atuando em Harvard, provou através de extensas pesquisas que a palavra dita tem efeito enorme sobre as nossas emoções e, por conseqüência, sobre nossa vida. A chamada Razão-Losada preconiza que para cada palavra negativa dita a alguém, é preciso de cinco positivas para deixá-lo num estado neutro. Outra situação que devemos ter muito cuidado é quando chamamos atenção dos nossos filhos por  um erro qualquer. Em nenhuma hipótese é conveniente que haja xingamentos ou acusações, pois, de fato, esta bronca não será producente. O ideal e funcional é que façamos um elogio sincero antes de começar o corretivo. Depois é necessário finalizar a “chamada”, ressaltando outra virtude. Desta forma, ele abrirá a cognição, num primeiro momento, absorverá a atitude que deve tomar, e depois sairá feliz pensando na conversa que vocês tiveram, se sentindo disposto a aplicar o que combinaram. Não ofenda seu filho, pois ele pode acreditar nas suas palavras e cumprir o que você  designou. A gentileza aqui, gera bom comportamento e uma personalidade bem estruturada.

Nas relações amorosas a gentileza traz como conseqüência mais amor e respeito. Relações maduras e felizes são banhadas de atos gentis. As pessoas muitas vezes se esquecem disso e tratam o outro como se fosse sua propriedade, causando frustrações e tristezas infinitas. Recentemente assisti uma cena tenebrosa na fila do supermercado: Uma mulher dizia ao marido: “João, vá pegar o pão de milho enquanto eu pego o queijo.” João, resignado e mudo, vai até a prateleira e volta com um pacote na mão. Ela responde: “Seu idiota, não é este, é o outro com o rótulo vermelho. Volte lá e traga rápido para mim.” Ora, olhei a cena e pensei: Quanta falta de amor ao próximo. Deixei-a passar na minha frente e agradeci ao senhor João por ter me lembrado que precisava trazer o pão de milho para casa.

Portanto, queridos, aproveitem o fim de ano e repensem suas atitudes. Olhem para o lado e percebam seus pares, amores, funcionários, colegas de trabalho, com lentes mais cordiais. A ciência está aí para contradizer a tese de que “vaso ruim não quebra”. Ele quebra sim e além de tudo destrói os outros que estão ao lado. Sejamos gentis sempre, mesmo que precisemos, num primeiro momento, nos esforçar para isto. A vida flui muito mais feliz quando somos amáveis. Ah, e não esqueçam de levar um bombom para o seu médico na próxima consulta. Fica a dica.

Muito obrigada
Até breve,
Adriana Santiago
CRP: 05-20345
Neuropsicóloga Positiva, Coach pessoal e empresarial, escritora, palestrante, autora do blog Papo Cabeça com Adriana Santiago