sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sobre o “descontrole emocional” do Bernardo (Vasco): NÃO, A RESPONSABILIDADE NÃO É DA TORCIDA, É DELE!






O choro compulsivo do meia Bernardo, na última quarta-feira, quando o Vasco enfrentou o Rio Branco – AC, em São Januário, evidencia o total descontrole emocional de um jogador que tem um grande histórico de problemas comportamentais. Discordo de quem acha que a reação do Bernardo se justifica por achar que ele é vítima de um assédio moral por parte da torcida.

NÃO, A RESPONSABILIDADE NÃO É DA TORCIDA, É DELE! Agora tem se tornado muito comum colocarem na conta do “descontrole emocional” , atitudes tenebrosas. Pequenas e grandes atrocidades, atualmente, tem sido minimizadas, como se o protagonista desses erros não fosse ele mesmo o responsável pelo controle ou descontrole  de suas emoções. Há uma espécie de “desculpabilização” que pode ser perigosa, pois o sujeito da ação, voluntária ou involuntariamente, utiliza esta situação como álibi. O mais assustador é que isto tem acontecido em todas as esferas sociais: na política (José Genuíno alegou depressão para evitar a cadeia); na música (Ed Motta, justificou sua arrogância se dizendo debilitado emocionalmente); na justiça (o Juíz do caso Eike se disse com muitos problemas emocionais, após usufruir dos bens alheios); nas ruas (um motorista de ônibus briga com um passageiro, o ônibus cai do viaduto e faz várias vítimas, e a culpa é da emoção).

No futebol este habeas corpus para o erro é ainda maior porque envolve paixão de milhares de torcedores. É comum vermos jogadores envolvidos nas mais diversas polêmicas sendo absolvidos por dirigentes, treinadores e torcida. O mais preocupante é quando o psicólogo acha que isto é natural. As emoções fazem parte da natureza humana. São básicas e nos fizeram sobreviver como espécie. No entanto, adestrá-las através do raciocínio, que nos difere dos animais ditos “inferiores” é mister para convivermos em sociedade. Não podemos deixar soltos nossos “cavalos das paixões” em detrimento de uma boa relação com nossos pares. 

Quando o Bernardo se descontrola, chora desesperadamente, discute com a torcida, agride o adversário e diz que é por amor ao clube, é preciso repensar. Isto não é expressão de amor. Está muito mais para um transbordamento da raiva. Amor é sentimento elaborado, inclui dedicação. Para mostrar o amor que ele tem ao Vasco, seria muito mais importante que ele se dedicasse aos treinamentos, que focasse mais no desenvolvimento das suas habilidades, que valorizasse seu talento inato, que jogasse um pouco as baladas para escanteio e que priorizasse mais o seu condicionamento físico, o que, consequentemente, melhoraria seu desempenho. A imensa torcida bem feliz do Vasco agradeceria esta prova de amor.

Finalizando, gostaria de acrescentar que, apesar de não conhecê-lo pessoalmente, tenho informações de pessoas próximas ao jogador, que ele é uma pessoa do bem. Por isto, fico na torcida para que o seu melhor futebol sobressaia ao seu descontrole emocional.  Vai ser bom para o clube, uma festa para a torcida e um gol de placa em sua vida.