sexta-feira, 15 de maio de 2015

APRESENTANDO NOSSO CÉREBRO





Em 1990, o neurocientista Paul Maclean em seu livro “The Triune Brain in Evolution: Role in Palocerebral Functions”, apresentou-nos uma fascinante teoria sobre o nosso querido cérebro.  Apesar de discutível entre os acadêmicos, esta é uma visão bastante coerente das nossas funções mentais.
Segundo esta perspectiva, nosso cérebro é divido em três camadas. A primeira e mais primitiva é denominada cérebro reptiliano, a segunda é batizada de cérebro emocional, enquanto a última e mais nobre, neo-cortex.

O cérebro reptiliano ou basal é formado pela medula espinhal e porções basais do prosencéfalo. Esse primeiro nível de organização cerebral é capaz apenas de promover reflexos simples. Ele só transmite impulsos gerados nas várias camadas cerebrais. No caso do medo e da raiva, a mando do cérebro emocional, é ele quem libera os impulsos para que os hormônios invadam a corrente sanguínea, fazendo com que o coração acelere e a pressão suba. Os hormônios conduzidos pelo cérebro reptiliano fazem com que os músculos se preparem para a fuga ou luta diante de uma ameaça real ou percebida.

Esta primitiva porção cerebral é responsável por comportamentos já programados em nosso genoma. Estes comportamentos são automáticos, estão longe do ato de pensar: respiração, deglutição, batimentos cardíacos, fome, desejo sexual e reações de fuga ou luta “moram” neste lugar. O cérebro reptiliano só libera os impulsos, mas não os avalia. Segundo a perspectiva freudiana, este  lugar é chamado de Id.  

O reptiliano não tem dúvidas nem arrependimentos. Os impulsos liberados por ele, só querem satisfação. O que visa é a manutenção da espécie, fazendo com que o animal que mora em nós obedeça seus comandos. Se for preciso fugir ou lutar, o cérebro reptiliano otimiza seu batimento cardíaco e sua respiração, na intenção de um máximo desempenho físico. Ele também aprimora sua concentração para enfrentar a caçada diária e escapar do predador.

Pássaros, jacarés, sapos, cobras, lagartos e outros animais menos complexos só possuem esta camada cerebral. Só os mamíferos, “inferiores” e “superiores como nós”, possuem a nova casca evolutiva chamada de córtex ou cérebro emocional.

Esta segunda camada cerebral é abrigada pelo sistema límbico e foi formada para servir aos impulsos instintivos do cérebro reptiliano.  No sistema límbico estão as glandulazinhas poderosas que armazenam as emoções. As amígdalas cerebrais e o hipocampo estão lá. Enquanto as primeiras determinam quais lembranças serão armazenadas com base na relação emocional provocadas por uma experiência, o hipocampo, guarda por um curto período de tempo, tais informações. Num segundo momento, o hipocampo envia ou não tais informações para o neo- córtex. É nesta camada cerebral que as emoções de medo, raiva e desejo, ganham identidade e se desenvolvem para servir aos impulsos do cérebro reptiliano.

A terceira camada desenvolvida pela evolução das espécies é chamada de neocórtex. Esta é a nossa área nobre, região do intelecto, da tomada de decisão, do raciocínio superior. Enquanto o sistema límbico e o nosso cérebro reptiliano nos impulsionam a fazer aquilo que precisamos para a manutenção da espécie, o neocórtex representa a inteligência para alcançar este fim. Serve para dar limite e “filtrar” as nossas emoções e impulsos instintivos. É o centro da autoconsciência, do livre arbítrio e das nossas escolhas. É quem nos torna usuários plenos e potencialmente senhores de nossa vida.

Usando o modelo do cérebro trino, podemos dizer que diante de uma situação de ameaça, o sujeito, inicialmente movido pelo cérebro reptiliano, instintivo, quer sobreviver. Este é um impulso básico, instinto de vida. Por exemplo, você está estudando em seu quarto, quando ouve um barulho estrondoso no andar de baixo. Este barulho são ondas físicas que se transformam em ondas cerebrais. O seu estado é de atenção. Este estímulo parte para o tronco cerebral e para o tálamo. O tálamo transmite a informação, simultaneamente, para a amígdala e para o hipotálamo. O hipotálamo, então, manda informações para o córtex superior que faz uma análise mais detalhada, devolvendo –a para a amígdala.  A amígdala, a partir deste momento, funciona como o alarme de uma empresa, onde operadores estão a postos para chamar o corpo de bombeiros, polícia, vizinho, pois o sinal de segurança interno deu um sinal de perigo.  Se a “conversa” entre o sistema límbico e o neocortex estiver comprometida, a amídgdala domina a situação e dispara  “ordens” químicas para que o corpo todo seja inundado com hormônios que favoreçam a fuga e ou a luta.

Podemos observar, a partir deste modelo, que o funcionamento da amígdala e sua interação com o neocórtex estão no centro do que chamamos de inteligência emocional. Nos casos de transtornos de pânico e ansiedade, há uma espécie de “curto circuito” nesta relação e descargas químicas são disparadas no organismo várias vezes sem necessidade. A psicoterapia serve para colocarmos as coisas em seus devidos lugares e fazer com que o animal irracional que vive em  nós use a nossa área nobre do cérebro, responsável pelo raciocínio e viva de acordo com o que lhe faz bem. Domesticar o nosso animal interior é um dos primeiros passos para uma vida de sucesso.


Até mais.


Adriana Santiago.