quarta-feira, 14 de setembro de 2016

PÍLULAS CIENTÍFICAS

Ensinando bondade

É possível aprender a ser bom. É isto que afirmam pesquisas realizadas nas Universidades da Califórnia, Stanford e Wisconsin, nos EUA. Estudiosos no assunto provaram que treinando o cérebro através da meditação, podemos potencializar a nossa empatia e, com isto, tornarmo-nos mais amorosos e bondosos. 

Solta voz!

Cientistas descobriram áreas cerebrais especializadas em interpretar gritos como sinal de perigo. Foi esta capacidade que  aumentou as chances de sobrevivência dos nossos antepassados.  David Poeppel e colaboradores, na Universidade de Nova York, analisaram gritos de voluntários e observaram que estes sons ocupam posição específica no espectro auditivo que ativam a amígdala cerebral, responsável por nossas emoções básicas de medo e estado de atenção.

Backup eterno


Estudo publicado no eLife garante que é possível que as lembranças permaneçam marcadas no núcleo das células nervosas eternamente, o que permitiria sempre recuperação. Em outras palavras: depois de vivido, é impossível esquecer.

“Marvada” pinga



Álcool na adolescência prejudica a aprendizagem. Esta é a conclusão de diversas pesquisas realizadas na Universidade de Duke, nos EUA. Nesta etapa da vida, o cérebro ainda não está totalmente maduro, por isto o abuso de bebidas alcoólicas pode causar danos irreversíveis à função cerebral, levando o indivíduo ao desenvolvimento de anormalidades estruturais e funcionais, o que causa prejuízo na capacidade de fixação e memorização de conteúdos aprendidos.

Lição/ li, cão



Em São Paulo, a psicóloga Lílian Bertolo e a psicopedagoga Andréa Petenucci desenvolveram um projeto chamado Entre Patas e Letras que estimula a leitura assistida por cães para potencializar o prazer de ler em crianças em situação de vulnerabilidade social. Descobriram que a presença do animal funciona como um suporte motivador por imprimir um caráter lúdico e acolhedor à situação.

Alemão indesejado



Nos últimos anos foram publicados vários estudos que apontam marcadores biológicos em comum para problemas cardíacos e distúrbios neurológicos ou psíquicos. Um deles, divulgado pela Neurology em 2011, relaciona níveis altos de colesterol na meia-idade a um risco maior de desenvolver Alzheimer duas ou três décadas mais tarde. “Maiores quantidades de colesterol ‘ruim’ no sangue por volta dos 40 anos têm alguma relação, ainda não totalmente esclarecida, com o futuro aumento da produção e acúmulo no cérebro das proteínas alteradas que caracterizam a doença”, explica o nutrólogo Neal Barnard, professor de medicina da Universidade George Washington. 

sábado, 10 de setembro de 2016

TESTE SEU NÍVEL DE RESILIÊNCIA

Por Adriana Santiago

Como Você Reage às Suas Tragédias Pessoais?

Escolha uma das opções para cada pergunta abaixo. Em seguida, some os pontos e veja qual o seu nível de resiliência:

A)   Quando sofre uma decepção amorosa, você:


(             (1)      Sente muito, mas considera que  faz parte da vida. Você não será a (o) primeira (o), nem a (o) última (o) a passar por isto.
(              (2)    Sofre horrores e busca culpados para o seu relacionamento “não ter dado certo”.
               (3)    Não perdoa quem lhe abandonou e sai em busca de vingança.

B)   Diante de uma avaliação qualquer, você não se sai bem, o que pensa?


                          (1)    Da próxima vez vou estudar mais para ter um melhor resultado.  
(                         (2)    Estou  arrasada (o), sou incompetente.
(                          (3)    Sou um fracasso total e não tenho jeito mesmo. Não adiante estudar, eu nunca irei me dar bem.

C)    Quando chega à parada do ônibus, descobre que ele acabou de passar:


                       (1)    Logo, logo passa outro. Devo ter me livrado de algo ruim.
(                       (2)    Puxa vida! Este não é o meu dia de sorte.
(                       (3)    Sabia que isto ia acontecer. Só podia ser comigo.

D)   Se um amigo lhe dá algumas dicas no sentido de melhorar a sua performance no mundo, você acha que:


(                       (1)    Ainda bem que tenho pessoas bacanas para me dar um feedback.
                        (2)    Ele só pode estar com inveja de mim.
(                        (3)    Não mudo mesmo. Eu nasci assim, eu cresci assim e vou morrer assim.

E)    Você acaba de comprar uma bicicleta lindíssima! Na mesma semana  sofre um assalto e levam seu mais novo brinquedo. Você reage assim:


(                           (1)    Compra outra rapidamente, independente de qualquer coisa.
(                            (2)    Fica alguns dias muito triste, sem saber o que fazer.
                             (3)    Morre de ódio do assaltante e diz que nunca mais comprará uma bicicleta como aquela.

F)    Uma pessoa querida morre. Qual é o sentimento que predomina em você?


(                             (1)    Saudade  (mas morrer faz parte da vida). 
                               (2)    Tristeza profunda (isto não podia ter acontecido).
                               (3)    Desespero (como vou fazer sem ele/ela por perto?)

G) Você descobre ter uma doença grave. Como reage?


                             (1)    Procura todas as alternativas viáveis para se curar logo.
                             (2)    Fica paralisado sem saber o que fazer.
                             (3)    Entra em desespero e considera que nada do que fizer adiantará.

 

H)   Se alguém que considera não faz o que você sugere :


(                         (1)    Compreende que a escolha é individual. Você não pode decidir pelo outro.
(                         (2)    Fica muito decepcionado e não entende como o outro pode fazer isto contigo.
                           (3)    É capaz de brigar e até mesmo desfazer relações.

 

I)      Foi demitido, e agora?


(                         (1)    Rapidamente contacta conhecidos e amigos, distribui curriculum e sai em busca de novas oportunidades.
                          (2)    Pensa que será muito difícil conseguir uma  outra chance, pois existe uma crise enorme no País.
                         (3)    Sente que o mundo ruiu e entra em desespero.

J)      Seu sorvete cai no chão, você:


                            (1)    Compra outro imediatamente, pois não admite que o Universo conspire contra sua vida.
                            (2)    Entende que foi bom, pois não deveria tomar sorvetes.
                            (3)    Fica indignando e acha que este é só um sinal. Vem coisa pior por aí.


RESULTADO:
DE 10 a 15: Parabéns. Você, provavelmente é uma pessoa incrível, otimista, que sabe levar a vida na flauta. Respeita o outro e a si mesmo e não permite que as adversidades, comuns a todos nós, te deixem no chão.
De 16 a 25: Atenção. Você pode aumentar o seu nível de resiliência se mudar a  maneira de olhar para a vida. Um pouco de exercício e tudo ficará muito bem.
De 26 a 30: Cuidado.  Seja mais flexível. Olhe para o lado. Perceba o quanto está exagerando na auto-referência. O mundo não está contra você.  Procure ajuda de um profissional, ele poderá ajudá-lo a modificar as suas crenças.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

RESILIÊNCIA: QUANDO OS PROBLEMAS TE EMPURRAM PARA FRENTE


Walkíria, 35 anos, mulher linda, médica, já tinha passado por várias situações desagradáveis na vida, mas nada se comparava ao que estava por vir. Saiu num dia chuvoso para uma festa com seu marido e ao voltar, numa crise absurda de ciúme, ele incendiou a casa, na tentativa de matá-la. Tudo foi consumido nas chamas, mas ela conseguiu escapar. Perdeu todos os seus livros, fotos importantes e irrecuperáveis, jóias, documentos, mas não perdeu a sua identidade.  Junto aos objetos foi também  a noção de família que havia criado. Perdeu a ilusão de que vivia uma história de amor. Caiu por terra o que tinha  projetado para a  sua vida. Estarrecida diante da situação, sofrendo muito, até chorou! Mas, imediatamente, arregaçou as mangas e começou a tratar de reconstruir o que havia sido destruído. Dor? Claro que ela sentia. Era muita e era física! Mas isto não a impedia de seguir na sua reinvenção.  Hoje está muito bem; a casa foi reconstruída e a vida também.

Esta é a história de uma paciente, mas poderia ser a sua. Com certeza você deve ter passado por situações muito difíceis! De que maneira atuou nesta ocasião? Como está reagindo às suas tragédias pessoais? Existem pessoas que sucumbem ao menor sinal de estresse. Não se sentem capazes de ter atitudes e se recuperar numa situação traumática. Pensam assim: “Como eu sou infeliz! Isto só acontece comigo!” ou “Caramba, meu amigo tem uma vida perfeita, a minha é uma droga!”, ou mesmo, “Nunca conseguirei sair desta situação!”. Não conseguem entender que viver significa correr riscos e que todos nós estamos expostos às adversidades na vida. Elas insistem em pensar que tal fato  não poderia  ter acontecido, que nunca mais irão se recuperar de uma desgraça tão grande. Se perdem alguém, não entendem que este é o curso “natural” da história; se passam  por dificuldades financeiras, não contam  que suas ações os levaram a isto; se nasceram menos favorecidos, não percebem que suas atitudes podem mudar este status; se adoecem, não consideram  que somos humanos e perecemos;  se terminam  um relacionamento, não admitem  que encerraram  um ciclo e podem começar outro.  Elas se apegam a dor e a partir daí montam uma rede sintomática que provavelmente as levarão à doença física e mental.
 Alguns ainda desenvolvem o que chamamos de TEPT (Transtorno do Estresse Pós-Traumático), uma combinação macabra entre ansiedade e depressão, que pode levar ao abuso de substâncias químicas e até mesmo ao suicídio. Isto é gravíssimo! Indivíduos com TEPT revivem a situação traumática a todo momento e evitam sempre qualquer evento que lembre o fato corrido. Se Walkíria desenvolvesse este transtorno, provavelmente ficaria com aversão à velas, fósforos e\ou dias chuvosos, pois estes fatos lembrariam o incêndio ocorrido. Ela também não reconstruiria a sua casa nem a vida amorosa. É comum, em grandes tragédias,  pessoas  com TEPT sofrerem com uma espécie de “culpa por ter sobrevivido”.  Exemplo disto são indivíduos que escapam de acidentes onde há vítimas fatais e se martirizam por anos achando que não mereciam ter saído ilesos, que poderiam ter se esforçado mais para salvar  os outros. Isto é muito triste, queridos! É uma espécie de “morte-viva”.
Mas fiquem calmos, após diversas pesquisas, a Psicologia Positiva descobriu que podemos aprender a ser resilientes. Este é um conceito novo em Psicologia. O termo foi emprestado da Física e significa a capacidade do indivíduo se recuperar de adversidades. Alguns sujeitos são mais elásticos e voltam com facilidade, e muitas vezes até melhor, das pequenas tragédias cotidianas. Outros funcionam como lata, depois de amassados por estresses do dia a dia, não voltam para o lugar. Permanecem assim, avariados eternamente.  
Todos estamos sujeitos à derrotas na nossa trajetória. O importante é sabermos como transformar momentos difíceis em estímulos para superação. A Psicologia Positiva sugere que é absolutamente necessário que regulemos nossas emoções. Para isto é preciso que façamos sempre diante das nossas pequenas ou grandes tragédias cotidianas uma reavaliação cognitiva. Ou seja, é preciso que mudemos de perspectiva para entender o que nos acontece de forma diferente, pois afinal o crivo da realidade é determinado por nós. Por exemplo, quando rejeitados num processo seletivo qualquer, os menos resilientes entendem que não são bons o suficiente, se paralisam e provavelmente se deprimem.  Os mais resilientes, ao contrário, repensam as suas ações, entendem que provavelmente precisam se aprimorar mais e partem em busca de novas alternativas.
O aumento das emoções positivas também favorece a resiliência. Para isto é preciso reconhecer o que lhe faz bem e atuar neste sentido. Uma técnica interessante é escrever diariamente pelo menos três bons acontecimentos  ao longo do seu dia. Podem ser coisas bem pequenas que, aparentemente, você não daria muita importância como, por exemplo, quando alguém lhe faz um pequeno elogio; quando alguém lhe sorri sinceramente lhe desejando um bom dia; quando o trânsito está livre na hora do rush. Dar valor a coisas como estas, aumenta o nível de nossas emoções positivas, pois estamos acostumados a não reconhecer quando tudo dá certo. Valorize o que é bom.
Uma outra maneira de aumentar a nossa resiliência é reconhecer e utilizar nossas forças de caráter ou qualidades humanas. Criatividade, humildade, prudência, capacidade de perdoar, capacidade de amar, liderança, perseverança, entusiasmo, generosidade, inteligência social, são exemplos de forças que cada um de nós possui e que podemos lançar mão para uma atuação mais plástica no mundo. Mas, para usarmos nossas forças é preciso reconhecê-las. Você sabe quais são as suas? Se não sabe, é preciso pesquisar, pois auto-conhecimento é muito importante quando se quer aprimorar a existência. Em que você é bom?
Priorize os relacionamentos. Pesquisas demonstram que fortalecer os laços amorosos e manter uma rede social próxima e solidária ajudam a desenvolver resiliência. Então, meus amigos, cheguem juntos, fiquem pertos, solidão não leva ninguém a lugar nenhum e ainda promove estados depressivos. Comemore, ria e na dor, compartilhe! Seus amigos, seus amores, seus pares, os ajudarão nos momentos difíceis. Conte com sua rede solidária. Mas, não esqueça de ser breve em seu relato. Ninguém suporta por muito tempo uma pessoa que vive a reclamar.

 Fiquem atentos, pois nem sempre o trauma é integralmente negativo. Ele pode criar condições propícias para o crescimento! Para isto é preciso que você aceite-o sem culpa por ter sobrevivido.  É preciso que você crie uma nova identidade,  renascendo como Fênix das cinzas, mais fortalecido e perto da imortalidade.  Separações, doenças, perdas fazem parte da história de todos nós. Estamos vivos e isto significa que ao longo da nossa estrada seremos obrigados a passar por caminhos estreitos. Teremos que nos encolher, em determinados momentos, para depois nos aprumar de volta.  Como Walkírias podemos sair por aí nos apresentando  como sobreviventes das nossas tragédias pessoais, ou podemos optar permanecer comprimidos  como molas e aguentar a pressão,  nos furtando de viver a vida com cores mais intensas. A escolha é sua.