domingo, 23 de outubro de 2016

ESQUIZOFRENIA: É grave, tem tratamento e é preciso desmistificar.

João Carlos*, 23 anos, foi trazido ao meu consultório por seus familiares. Estavam todos preocupados com seu comportamento estranho: se isolava, não conseguia bom relacionamento com seus pares, muitas vezes tornava-se agressivo e falava sobre coisas estranhas que pensava e ouvia.  Os sintomas começaram devagar e intensificaram quando iniciou a vida profissional, depois de  formado em Engenharia. Sentia-se pressionado e, em uma crise aguda, tentou atacar a própria irmã com uma faca, pois achava que ela representava a figura do mal.
Quando criança era considerado dentro dos padrões da normalidade, até que na adolescência começou a perceber o mundo com cores mais intensas. Os sons e as coisas pareciam ter dimensões diferentes. Os pensamentos não correspondiam à realidade compartilhada pela maioria. Vez por outra, “invadiam” a sua cabeça dizendo-lhe para cometer atos que não faziam parte de seu repertório corriqueiro: “Coma o frango, se não o fizer, sua mãe vai morrer!”; “Aquela toalha amarela que seu vizinho colocou no varal é para significar que você é homossexual”. Era como se fosse um outro ser o invadindo, convivendo com ele de maneira arbitrária. Não havia dúvidas para João. Aquela era a sua realidade. Com isto, foi se afastando de seus colegas de turma, da rua e da família. Ficava no quarto desenhando e fazendo alguns poemas que considerava recados divinos.
Ao chegar no meu consultório, João estava ansioso e se negava a tomar o antipsicótico que o psiquiatra havia recomendado. Sentia-se perseguido por todos. O meu trabalho ali era acolher e fazê-lo administrar seus pensamentos, levando-o a conviver bem com sua diferença.
A esquizofrenia é uma doença grave, mas, assim como diabetes,  tem controle e tratamento. É uma espécie de “curto circuito cerebral” causado por um descontrole da dopamina, neurotransmissor importante processado pelos neurônios.  A função deste neurotransmissor é dar relevância aos estímulos do ambiente, por isto, interfere diretamente nas representações internas que fazemos a respeito das nossas percepções. Em circunstâncias normais, a dopamina não cria estímulos, ela só faz mediação no processo de atribuição de relevância. Na esquizofrenia esta função é aumentada, por isto o paciente vê ou ouve coisas que não existem.
O problema maior deste transtorno é a compreensão do outro. Estamos ancorados em verdades compartilhadas, por isto, quando alguém vê algo que não vemos ou ouve coisas que não ouvimos, tendemos a bani-los de nosso convívio. João se afastava das pessoas, pois se sentia alheio ao mundo “normal”. Em contrapartida, o mundo afastava João, porque não compreendia e tinha medo das suas reações. Este ciclo tornava-se espiral descendente, levando João e sua família para o fundo do poço.
A ideia do tratamento multidisciplinar inclui o psiquiatra com os medicamentos, a terapia ocupacional com a inserção e a psicologia com a escuta e significação. Deste modo, cabe a nós, psicólogos, fazer com que o portador de esquizofrenia conviva bem com os seus sintomas. As vozes em sua cabeça não podem mais distraí-los, seus pensamentos intrusivos não podem mais desconcentrá-los. É preciso propor uma convivência harmônica entre o esquisito que vive dentro do paciente e a pessoa que habita o corpo em questão.
O tratamento não é fácil e é para sempre. O que não podemos é isolar e pressionar o esquizofrênico para que ele compartilhe da nossa loucura coletiva. Devemos valorizá-lo e compreender o seu modo de ver o mundo, pois os sintomas são menos graves que os estigmas que a esquizofrenia carrega. João segue em tratamento. Agora entende que precisa conviver com seus fantasmas, mas já não dá tanta importância para eles. Montou um ateliê e vende seus quadros em feiras de artesanato. Assim como Sidney Sheldon e Agatha Christie, que sofriam do mesmo mal, deu sentido ao seu eu partido.
*nome fictício.

Por Adriana Santiago
(CRP: 05-20345)
Especialista em Neurociências, Terapia Cognitivo Comportamental e Psicologia Positiva.
CONSULTÓRIO: Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro, 551/503. Centro – Niterói.

Tel: 98662-2565 – 3608-2565

sábado, 22 de outubro de 2016

PÍLULAS CIENTÍFICAS

AMIGO RACIONAL 


Em Berlim, pesquisadores confirmaram, através de evidências científicas, o que muitos donos de cães já sabem: eles entendem o que os humanos dizem. O estudo foi publicado no periódico “Science”. Imagens de ressonância magnética do cérebro destes animais mostraram que processam palavras ouvidas com  o hemisfério esquerdo e a entonação da voz, com o direito. Exatamente como nós, seres racionais.

Perto da Cura


Cientistas do Instituto Max Planck e da Universidade Goethe, na Alemanha, afirmam que estamos mais perto do que nunca de impedir a metástase de se espalhar por todo organismo. Eles descobriram como o tumor se aproveita da corrente sanguínea para se espalhar pelo corpo e estão chegando perto de uma estratégia para parar esta ameaça. Os resultados são extremamente promissores para a batalha contra o câncer.

Corrida e bem-estar


Correr muda o nosso cérebro e afeta o nosso pensamento. O efeito deste exercício aeróbico é a clareza cognitiva e o bem-estar emocional. Este fato foi comprovado cientificamente pelos pesquisadores Emily Bernstein e Richard Mac Nally da Academia Americana de Neuropsicologia Clínica.

Alzheimer


Cirurgia realizada na Paraíba freia a evolução de Alzheimer e recupera a memória do paciente, em estágio inicial da doença. A intervenção aconteceu no Hospital Laureano  em um indivíduo de 77 anos, pelo neurocirgião Rodrigo Marmo. Esta notícia encheu de esperanças pacientes e familiares que sofrem com este mal.

Abraços



Estudo publicado na Psychological Science afirma que além de ser uma excelente demonstração de afeto, o abraço também é capaz de prevenir doenças infecciosas, gripes e depressão. O estudo foi realizado com 404 adultos saudáveis. Todos foram submetidos intencionalmente ao vírus da gripe. Um terço  deste amostra, justamente os que receberam mais abraços diariamente, não desenvolveu os sintomas ou sinais  da doença. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

VOCÊ PODE ESCOLHER SER FELIZ


UM TEMA RECORRENTE:

A busca da felicidade é tema antigo na humanidade. Filósofos e religiosos, desde séculos antes de Cristo já pensavam sobre o assunto. Agora é a ciência que tem se dedicado a esta questão. Isto porque constataram que quanto mais feliz é o indivíduo, menos adoece e mais produz. Muitas pesquisas têm sido feitas nesta área e os resultados são surpreendentes.
Uma das descobertas ressalta uma questão polêmica: 50%  da nossa capacidade de ser feliz está vinculada a aspectos genéticos. E os outros 50%? Dividem-se em 40% nas nossas atividades intencionais e 10% nas circunstâncias da vida. Isto significa que nascemos com uma tendência para felicidade, no entanto, a grande notícia é que, mesmo sendo genética, a tendência para ser feliz, pode ser modificada por nosso comportamento.  Dito de outro modo: genética não é “determinética” e isto quer dizer que podemos alterar nossa predisposição através de intervenções no ambiente em que vivemos.
A questão agora é: O que precisamente podemos fazer para aumentar ou reforçar esta tal felicidade? Se 40% só depende de nós podemos e devemos mudar o que fazemos e o que pensamos para atingir nosso objetivo.  Se observarmos as pessoas genuinamente felizes descobriremos que elas não  o são “por acaso”. Elas agem! Procuram novas interpretações dos fatos, controlam suas ideias e sentimentos. Em suma, suas atividades intencionais têm efeitos decisivos sobre a  genética e sobre as circunstâncias  em que  se encontram, por isto a fonte da felicidade pode ser encontrada em como você se comporta, no que você pensa e em que metas você estabelece a cada dia de sua vida. Não há felicidade sem ação e isto só depende de você!

 

DESCONSTRUINDO ALGUNS MITOS:

É importante, como primeiro passo, desconstruir alguns mitos. O primeiro deles é: ”A felicidade pode ser encontrada”.  Isto é uma falácia! Existem pessoas que sempre deixam para amanhã o fato de ser feliz. “Ah, quando eu me aposentar serei feliz!”; “Quando eu encontrar a minha alma gêmea estarei pleno”; “Quando  eu tiver mais dinheiro, estarei completo. ” A felicidade não está no “quando”, mas no “como” olhamos o mundo.  
Um outro mito bem comum é: “A felicidade está em mudar as circunstâncias”. Não, meus amores, nem sempre podemos mudar os fatos da nossa vida! O que podemos mudar é nossa postura diante da realidade e mais nada. Por exemplo, numa separação contundente e inesperada, não podemos impedir que o outro se vá. Mas podemos nos posicionar de modo diferenciado diante de um fato tão doloroso que não depende de nosso desejo. Podemos sentir a dor, evitando o sofrimento! Podemos sim, nos reinventar e procurar nesta adversidade algo de bom para aplacar a dor e como Fênix, renascer das cinzas.
O terceiro e último mito bem comum que precisa ser desconstruído é: "Felicidade, você tem ou não tem!". Este mito que se refere ao aspecto genético que falamos anteriormente. Essa noção de que nascemos felizes ou infelizes está por toda parte. Mas, o que as pesquisas demonstram é que cada vez mais podemos superar nossa programação genética. De maneira análoga, se você nasceu com olhos castanhos, seus olhos permanecerão sempre castanhos. Contudo, você não está condenado a obedecer às diretrizes dos seus genes. Você pode, no mínimo, comprar lentes coloridas e sair por aí de olhos azuis!

A FELICIDADE LEVA AO SUCESSO

Shawn Achor, professor e pesquisador da Universidade de Harvard, propõe em sua obra “O Jeito Harvard de ser Feliz”  (2012) que, ao contrário do que se imaginava,  é a felicidade que leva ao sucesso, e não o sucesso que leva a felicidade, como tendemos pensar normalmente. O sujeito feliz tem maior  acesso ao desempenho e realização.  A felicidade é o centro, e o sucesso é o que gira em torno dela.
A ciência define felicidade como a experiência de emoções positivas. Implica um estado de espírito positivo no presente e uma perspectiva positiva para o futuro.  Para Achor, felicidade é a alegria que sentimos quando buscamos atingir nosso pleno potencial.  Ela é muito mais que uma sensação boa:  a felicidade constitui um ingrediente indispensável para o nosso sucesso. 
O fato é que as emoções positivas abrem a nossa cognição, enquanto as negativas limitam nossos pensamentos. E este é um efeito comprovadamente biológico, pois as emoções positivas  inundam o nosso cérebro de dopamina e serotonina, substâncias químicas que não apenas  fazem nos sentir melhor, mas sintonizam os centros de aprendizagem à patamares mais elevados.
Trabalhadores felizes também apresentam níveis elevados de produtividade, fecham mais vendas, são mais eficazes em posição de liderança, recebem uma maior avaliação de desempenho, ganham mais e adoecem menos.  Empresas inteligentes cultivam  ambientes que favorecem emoções positivas, pois funcionários que vivenciam pequenas cargas  de felicidade, produzem muito melhor.
Pessoas que expressam mais emoções positivas também são mais eficientes em negociações e acordos, pois as emoções positivas expandem o nosso campo de visão periférica,  e assim podemos avaliar melhor as possibilidades apresentadas pela vida.
Crianças predispostas a se sentirem felizes também apresentam um desempenho significativamente mais elevado.  Crianças inundadas de emoções positivas são mais inteligentes e eficazes.
Você sabia que se levar um docinho para o seu médico ele terá um desempenho mais rápido e eficiente? Pois é, o nível de emoção positiva influencia na eficácia do diagnóstico médico. Médicos felizes chegam ao diagnóstico correto mais cedo e evitam ancoragem, que em linhas gerais significa a “cisma” com um diagnóstico. Pois é simples assim, esta pequena gentileza pode gerar uma vantagem criativa e de observação substancial. Este foi o resultado de uma pesquisa feita na faculdade de medicina em Harvard.
Além de estender a nossa capacidade intelectual e criativa, as emoções positivas proporcionam um rápido antídoto para a ansiedade e o estresse físico. Experimente, por exemplo, em vésperas de uma apresentação qualquer em público – se isto lhe deixa tenso – relaxar com um vídeo engraçado no youtube ou com uma conversa animada com alguém que ama.  Esta rápida descarga de felicidade causará um efeito destruidor  no estresse e na ansiedade, o que por sua vez, melhora o nosso foco e nossa capacidade de atingir o nosso mais elevado nível de desempenho.
Então, meus queridos, se querem obter o Benefício da Felicidade, tenham como META elevar o nível de suas emoções positivas. Evitem negatividades, parem de assistir novelas, invistam mais em suas próprias vidas. Bons livros, por exemplo, te levam à excelentes descobertas. Ao invés de olhar para a TV, olhe para o lado, com certeza terá alguém doidinho para lhe contar as boas novas. 

ALGUNS PASSOS IMPORTANTES PARA A CONSTRUÇÃO DA FELICIDADE.


Sonja Lyubomirsky, pesquisadora da Universidade da Califórnia, publicou em 2008 no livro “A Ciência da Felicidade” um método científico para se construir uma felicidade real e duradoura. Segundo a autora, algumas estratégias podem contribuir para ajudá-lo a construir uma vida mais plena de sentido e significado, o que lhe trará bem-estar subjetivo.
1)    Pratique a gratidão. Descobriu-se que pessoas gratas com regularidade são efetivamente mais felizes, energizadas e esperançosas. Sentem emoções positivas por mais tempo e com  mais frequência.
2)    Cultive o pensamento positivo. Os otimistas são mais bem-sucedidos em um grande número de áreas – profissional, acadêmica, atlética, social e até na saúde. Pesquisas confirmam que, diante de um diagnóstico grave, os otimistas não negam a situação. Em vez disso, aceitam a realidade e esforçam-se para tirar o máximo de proveito e até crescer com a situação. Por isto, os otimistas são fisicamente mais saudáveis.
3)    Evite cismas e comparações sociais. Numerosos estudos nas últimas duas décadas mostraram que a cisma conduz a uma porção de consequências adversas: conserva ou piora a tristeza, estimula o pensamento negativo, prejudica a capacidade que uma pessoa tem de resolver problemas, esgota a motivação e interfere na concentração e iniciativa. As Comparações Sociais só são úteis, quando nos inspiram a lutar por objetivos ambiciosos ou a melhorar nossas fraquezas. Podem ser úteis também quando faz com que nos sintamos melhores quanto a nossas próprias dificuldades. Porém, na maior parte do tempo, elas são usadas de modo prejudicial, pois podem causar inveja, sentimento paralisante e anti-produtivo.
4)    Pratique gentileza. Pesquisadores observaram que ser gentil e generoso leva o indivíduo a perceber os outros de maneira mais positiva e benevolente. Além disso: Tira o foco de suas dificuldades e ruminações, alivia a culpa e mal-estar em relação ao sofrimento dos outros, proporciona maior autoconhecimento (vc se reconhece uma pessoa melhor), possibilita o aprendizado de outras atividades, proporciona senso de eficácia e realização, faz com o outro goste mais de você, diminui os sintomas da depressão, aumenta os sentimentos de felicidade, auto-estima, ascendência e controle pessoal.
5)    Cultive relações sociais. As amizades não acontecem, elas são construídas. Psicólogos sugerem que o número mágico é ter três amigos ou companheiros com os quais possa realmente contar.
6)    Desenvolva estratégias de superação de dificuldade: Superar as dificuldades é o que as pessoas felizes fazem para aliviar a dor e o estresse causados por um acontecimento ou situação negativos . Isto se chama “administração de demandas estressantes”.
7)    Aprenda a perdoar. De todas as estratégias para se atingir a felicidade, o perdão é a mais contundente. Significa retirar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos, e cessar a exigência de castigo ou restituição.
8)    Aumente a sua experiência de fluxoO fluxo proporciona um prazer natural que, ao contrário dos prazeres artificiais ou hedonísiticos, traz uma experiência positiva, produtiva e controlável, que não gera culpa, vergonha ou qualquer dano a si mesmo ou a sociedade. Procure saber o que você gosta de fazer e faça com frequência.
9)    Saboreie as alegrias da vida. Viva o momento contemplando cada detalhe do seu presente e reconheça os pequenos instantes de alegria e contentamento.
10)  Comprometa-se com seus objetivos.  Por trás de uma pessoa feliz, há sempre um projeto. Pessoas que lutam por alguma coisa importante, seja aprender uma nova habilidade, mudar de carreira ou criar filhos com princípios morais, são muito mais felizes do que as que não têm grandes sonhos ou aspirações. O projeto em si é até mais importante do que sua realização.
11)  Pratique a espiritualidade. Pessoas espiritualizadas têm saúde mental superior, lidam melhor com os fatores de tensão, têm casamentos mais satisfatórios, usam drogas e alcool com menor frequência, são fisicamente mais saudáveis e vivem vidas mais longas.

12)  Cuide do seu corpo. Estudos comprovaram que exercícios físicos são tão eficazes contra a depressão, quanto medicamentos.   Com a diferença de que são menos dispendiosos e não causam efeitos colaterais. Entregar-se ao exercício físico faz com que o indivíduo  se sinta “dono” de seu corpo e de sua saúde. Esta sensação é também fisiológica: o exercício eleva os níveis de serotonina, de maneira similar aos efeitos do PROZAC. 
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Este é o resultado do nosso trabalho no PROTEME (Programa de Emagrecimento Definitivo). Usando técnicas da Terapia Cognitivo Comportamental e Psicologia Positiva (mais informações pelo telefone 3608-2565). Estes resultados foram obtidos em menos de 3 meses. Parabéns Grazielle Pereira, tenho muito orgulho de você. — em Nuapp - Núcleo De Aplicação Da Psicologia Positiva.